Foto: Gilson Teixeira

Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

ÓTIMA NOTÍCIA: OLHO DE BOI CHEGOU!

"Um olho de boi chegou lá do Maranhão
num retrato em preto e branco
e trouxe um recado, um bilhete, uma saudade colorida"

"Lembra aquele disco
que na minha pindaíba me custou dois mil?"

Turma: chegou!

O tão aguardado disco de estreia de Gildomar Marinho chegou. Olho de Boi 'tá quentinho, recém-saído do forno, onde estava sendo gestado há mais de vinte anos (só que eu conheço Gil já lá se vão dez aninhos).



Para avisar, trechos das letras da faixa-título e de nossa parceria, Lembra?, eu que ainda me meto onde não sou chamado fazendo o texto de apresentação do disco e assinando, com Beto Nicácio (Dupla Criação), o projeto gráfico.

Em breve avisaremos por aqui do show de lançamento (rolou avant-premiére no Clube do Choro). Adquira já o seu, de qualquer lugar do Brasil: pedradecantaria@gmail.com

Domingo, 19 de Julho de 2009

BOAS NOVAS DO CINE-MA



O curta Reverso, do cineasta maranhense Francisco Colombo, foi selecionado para o Curta Kinoforum - 20º. Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que acontecerá entre 20 e 28 de agosto.

O filme de Colombo integrará o programa Escritas do Cinema, composto por exibições, debates e encontros, com a presença de Jacques Kermabon, editor da revista BREF, e Bernard Payen, coordenador de curtas da Semana da Crítica de Cannes.

Trocadilho infame, eu diria que o sucesso de Reverso é "irreversível", o que começou a ser sinalizado, justiça, no próprio Guarnicê.

Outro filme maranhense que constará da programação do Kinoforum é Pelo ouvido, de Joaquim Haickel.

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

O BAR DO LÉO NÃO PODE FECHAR

Essa frase aí foi minha primeira entrada no, yes, agora nós temos twitter.

TRISTE, TRISTE, TERRÍVEL NOTÍCIA

Acabo de retornar de uma viagem de trabalho e, correndo contra o tempo para resolver um porrilhão de coisas, deparo-me, ao tentar atualizar a leitura de meus blogues prediletos, com esta triste, triste, terrível notícia que colho de Ricarte Almeida Santos: o Bar do Léo tem 48 horas para acabar (agora menos, que já li a notícia tardiamente).

Já sabia da intimação e de todo o parangolé armado pela não renovação da licença que permitia a Leonildo o uso daquele espaço que se tornou referência turística e cultural da capital maranhense, sem dúvidas uma de suas sete maravilhas, se é que aqui há sete maravilhas...

Uma aberração! O nosso destino, enquanto amantes da boa música e das culturas maranhense e brasileira como um todo, está em jogo. O que nos reserva o destino, controlado por burocratas do naipe dos que teimam em não renovar a licença para que o Bar do Léo permaneça no Hortomercado do Vinhais, onde está encravado há 30 anos?

Fica registrado o meu protesto. Proteste você também! Podem ser as últimas horas do Bar do Léo. Daqui a pouco, todos lá! Se é que ainda o encontraremos aberto. Oh, desgraça!

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

CRIOL(IN)ANDO EM SAMPA



Outro cartaz bonito pra caramba. Dando conta da apresentação que o Criolina (leia-se: os talentosíssimos Alê Muniz e Luciana Simões) faz quinta-feira pras bandas de lá.

Já andei ouvindo coisas do disco novo do duo maranhense. Só tenho a avisar que: vem mais coisa fina por aí! Preparem-se! E aguardemos...

É PEDRA!

Um dia ainda vejo formandos em publicidade (ou outras áreas da comunicação) estudando estes belos cartazes. Enquanto isso não acontece, a dica é se divertir. Ó a boa de sexta:

A VIDA É UMA FESTA!: EXTRA!

Domingo, 12 de Julho de 2009

VOLTANDO HOJE

Voltando à Tribuna Cultural, após dois domingos "fugindo do assunto" - por uma boa causa.

O título da coluna de hoje (no Tribuna do Nordeste), faz alusão ao autógrafo no livro que o Rodrigo me mandou: "Ao Zema Ribeiro, um pedaço do meu caos. O abraço amigo do Rodrigo. 27.11.08"

*

TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*

UM PEDAÇO DO CAOS DE RODRIGO DE SOUZA LEÃO

Indicado ao prêmio Portugal Telecom 2009 por sua novela Todos os cachorros são azuis, se o carioca Rodrigo de Souza Leão for um dos vencedores, o título já será póstumo, infelizmente.


[O escritor, na orelha de Todos os cachorros são azuis]

Subiu, no último dia 1º. de julho o poeta Rodrigo de Souza Leão, vítima de ataque cardíaco provocado por doses excessivas de medicação. No entanto, não gostaria de transmutar esta humilde resenha em obituário ou coisa que o valha. O carioca, nascido em 1965, publicou, ano passado, um dos melhores livros que li – o que já está se tornando clichê dizer, embora seja a mais absoluta verdade, sem essa de “poeta bom = poeta morto” – a novela Todos os cachorros são azuis [7Letras, 2008, 78 páginas, R$ 25,00], finalista do prêmio Portugal Telecom este ano.


[Todos os cachorros são azuis. Capa. Reprodução]

Rodrigo estica uma corda bamba por sobre e atravessa um perigoso vão onde se incluem autobiografia, linguagem inovadora, estreia – escreveu a novela, mas era, antes de tudo, poeta, embora não seja meu papel rotulá-lo ou coisa parecida – e coragem. De se despir, inclusive: Todos os cachorros são azuis é autobiográfico e trata, sem medos ou fugas, da experiência do poeta em internações em clínicas psiquiátricas por conta da esquizofrenia. E isso não é dado de bandeja ao leitor.

O protagonista narrador da primeira obra em prosa do carioca vive entre alucinações e tem como companhias um Rimbaud e um Baudelaire frutos de sua imaginação – como bom escritor, Rodrigo era, antes, um grande leitor –, entre outras figuras que circulam pelo hospício, mas “soa” bastante lúcido em determinadas passagens: “Todo dia antes de dormir eu rezava a ave-maria. Todo o dia eu pedia a Deus que me tirasse dali o mais rápido possível e que o mais rápido possível fosse o dia seguinte. Depois eu não acreditava nem em Deus e nem na Ave Maria, mas eu rezava. Não custava nada rezar. Não pagava nada para pedir. Algum cristão, num dia de domingo, aparecia bem perto da minha cela e deixava um folhetinho. Eu olhava e lia quando as doses não eram altas e me deixavam ler, depois rasgava o papel. Meu Deus! Os crentes estão ganhando o mundo. Até aqui eles vinham para angariar os fodidos. A religião virou uma sacanagem do caralho. Acho que sabiam que havia muitos alcoólatras lá dentro. A religião não é só o ópio do povo. Mas é o que mantém o povo feliz. Triste do povo que precisa da religião para se apoiar. É pior do que um louco que tem cura, mas precisará sempre de um apoio de outra pessoa para ser feliz. É melhor ser louco incurável” (página 23).

Rodrigo de Souza Leão era um dos escritores de internet brasileiros com mais experiência: editava desde 1996 – quando a web brasileira ainda engatinhava – o e-zine Balacobaco, enviado por e-mail a interessados (este colunista incluso), e escrevia constante e sofregamente no blogue Lowcura.

Outra passagem da novela: “Não beijei a primeira garota que amei. Fui beijar outra menina pra aprender e só depois beijar de um modo melhor a que eu amava. A que eu amava viu e me deu o pé na bunda” (página 44).

“Rodrigo foi um poeta visceral; ele não buscava apenas soluções estéticas. A criação, para ele, era uma forma de iluminar o próprio caos. Ele escrevia com as entranhas. Poesia confessional? Sim. Apesar disso, deixou obras notáveis, como a novela Todos os cachorros são azuis e o livro de poemas O caga-regras”, escreveu sobre ele o poeta, tradutor, ensaísta e editor Cláudio Daniel, um dos maiores conhecedores da matéria no Brasil, em texto publicado no site Cronópios.

Cada gol é uma medalha no peito. O general tem muitas medalhas e nenhuma guerra. Em São Paulo, certa vez, uma mulher-super-poderosa disse que eu tinha sido soldado em outra encarnação. Muitas guerras a serem vencidas. Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones. Vietnã. Na veia. Helicópteros por todo o lado. Napalm. Gás mostarda. Baionetas enfiadas nos corpos. Injetando alguma química feroz” (página 65). Ganhando ou não, postumamente, o Portugal Telecom, Rodrigo de Souza Leão já tem seu lugar garantido na galeria do que há de melhor na literatura brasileira produzida neste início de século.

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com



*

Feliz aniversário, Joisiane Gamba! Deus continue iluminando seus passos pelo bom caminho que você optou trilhar, nos levando juntos. Seguimos juntos, firmes e fortes, por aquilo que consideramos justo. Parabéns, Jô! Um grande abraço!

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

MAIS UMA CHANCE


[Foto: ZR]

O cantor e compositor Cesar Teixeira (foto) reapresenta seu Forró do Corta Jaca na esticada do arraial da Praça Maria Aragão. No show, que acontece amanhã (11), às 21h, o autor de clássicos como Boi da Lua, Namorada do Cangaço, Parangolé, Bandeira de Aço, Mutuca e muitos outros, será acompanhado de Pedrinho Vila Nova (sanfona), Moisés Profeta (contrabaixo), Quintino Neto (bateria) e Zé de Nazaré (percussão), contando ainda com as participações especiais de Júlio e Tiago nos metais.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

CRUEL: BEST OF



Mix-melhores momentos de Cruel, show tributo em homenagem a Sérgio Sampaio, produzido por meu amigo, outro Sérgio, o Castellani, no fim de semana passado, em Sampa.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

RETRATO DE UM CONCERTO

Abaixo, texto cometido por ocasião da passagem dos violonistas Daniel Wolff e João Pedro Borges por São Luís, para um concerto [domingo (5), 19h30min, Teatro Alcione Nazaré] do projeto Sonora Brasil, do SESC. Durango Kid, sem grana sequer para comprar o disco do gaúcho – o do amigo-vizinho-irmão João Pedro Borges à venda na ocasião eu já tinha –, acabei nem indo cumprimentá-los ao fim do espetáculo. Os maranhenses – ele e Ricarte –, aliás, me trataram bastante carinhosamente no Chorinhos e Chorões de domingo passado, cujo áudio penduro ao fim do texto. O gaúcho expressa ali sua vontade de me conhecer. Fica pra próxima! Como fica pra próxima, a oportunidade perdida pelos que não foram ver esta memorável apresentação.

*


[O programa]

O gaúcho Daniel Wolff, primeiro brasileiro doutor em violão, e o maranhense João Pedro Borges, não menos genial, ex-integrante da Camerata Carioca, passaram pela cidade natal do segundo para o 53º (de um total de 80) concerto da primeira etapa da 12ª. edição do projeto Sonora Brasil, do SESC, que este ano tem como tema o violão brasileiro.

Wolff e Sinhô – como JPB é conhecido – apresentaram-se na noite de domingo passado (5), no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). Cheguei pouco antes da apresentação e identifiquei uns poucos conhecidos na plateia do pequeno teatro, os 250 lugares quase completamente lotados. Músicos profissionais, professores e estudantes de música, e apreciadores em geral compunham o cenário.

No palco, apenas duas cadeiras e duas estantes me deram o primeiro susto da noite: nunca tinha visto/ouvido Wolff tocar, mas sempre que vi/ouvi Sinhô tocar, seu violão é(ra) captado por um microfone. Ele não usa violão elétrico. Fiquei me perguntando também se os músicos-professores viriam com microfones de lapela, para dialogar com o público. Só depois descobri a intenção do Sonora Brasil: o caráter estritamente acústico do projeto – o didático/pedagógico eu já sabia.

Daniel Wolff e João Pedro Borges apresentaram-se apenas com os violões, para que o público pudesse perceber nuances que se perdem com a amplificação. Os sons naturais extraídos dos instrumentos pelos violonistas eram, às vezes, prejudicados por um programa folheado aqui (olha que era um folder de uma dobra apenas...), um celular tocado e atendido ali (ô, falta de educação!), o ranger de um sapato no piso inapropriado do espaço acolá, um constante ruído de uma das poucas máquinas de ar-condicionado ligadas...

Como se trata justamente de um programa de formação de plateia, espero que o público, da próxima, desligue os celulares, pare de andar no meio da apresentação e, mais ainda, chegue no horário: também era irritante o desabar – quase uma indesejada percussão durante o concerto de violões – de cadeiras sendo abertas para acomodar a bunda de um(a) atrasado(a).

Apenas um quilo de alimento não perecível era o passaporte para a maravilha – releve os problemas aqui citados, sobre os quais nem músicos nem SESC podem interferir – de concerto a que presenciei no domingo. Antes de cada peça tocada, explicações minuciosas sobre seus compositores, além de detalhes que por vezes ouvintes menos “escolados” – como este blogueiro – sequer percebem numa audição única.

Sons perdidos (Bruno Kiefer), na execução do duo, abriu o concerto, dedicado à Dona Maria, acomodada na primeira fila, mãe de João Pedro Borges, por Daniel Wolff, em retribuição ao gesto do maranhense quando de uma apresentação no Rio Grande do Sul, quando um dos primeiros concertos da turnê da dupla foi dedicado à Henry Wolff, médico e músico, entre outros ofícios, pai do violonista gaúcho, autor de Innominata, uma das peças por ele executadas, na segunda parte do concerto, seu solo.

João Pedro Borges, solo, executou os temas Homenagem a Villa-Lobos e o Ciclo Nordestino (I – Samba matuto; II – Cantiga; III – É Lamp; IV – Gavião; V – Martelo), ambas de Marlos Nobre, o Ciclo dedicado ao amigo José Chagas, poeta paraibano há muito radicado no Maranhão, de quem está musicando alguns poemas. Na sequência, Cinco invenções para violão (I – Vagaroso; II – Andante; III – Moderato; IV – Allegretto; V – Andante), de José Siqueira, Cantiga (Nicanor Teixeira) e Pequeno estudo para violão (Lindemberg Cardoso), "estudos, vocês sabem, são aquelas peças escritas para quebrar os dedos de quem toca", brincou antes de destrinchar a peça, que lhe exigiu realmente bastante habilidade.

A primeira parte da noite foi encerrada pela execução de Valsa (Maria Luísa), tema em homenagem à saudosa filha de Ricarte Almeida Santos e Cristiane Moraes – ambos na plateia –, de quem João Pedro era padrinho. “É um ato de coragem eu colocar um tema meu entre todos estes nomes tão importantes para a escola de violão brasileiro”, anunciou modesto.

Daniel Wolff iniciou seu solo interpretando a peça de seu pai, seguida do Poemeto de Fernando Mattos, professor da mesma faculdade de música em que dá aula, e chefe daquele departamento – sem bloco de anotações e caneta à mão, o nome da instituição de ensino superior me foge à memória. “Depois de tocar pai e chefe, terminei as obrigações, vamos ao concerto”, disse, brincalhão, deixando aflorar a verve professoral.

Seguiram-se Ritmata (Edino Krieger), Sonhando de alegria (Jaime Zenamon) e sua Scordatura em quatro movimentos: I – Ciranda; II – Ostinato; III – Noturno e IV – Moda de viola. A noite foi encerrada com o retorno de João Pedro Borges ao palco e a dupla executando o segundo movimento da suíte Retratos, de autoria do maestro gaúcho Radamés Gnattali, em homenagem ao pianista Ernesto Nazareth, autor de diversos clássicos do choro como Apanhei-te cavaquinho, Bambino e Brejeiro, entre muitos outros.

Antes, Wolff – atualmente morando na rua em que nasceu Gnattali – confessou-se fã de João Pedro Borges, que tocava na Camerata Carioca quando o maestro registrou novamente em disco a suíte Retratos (1979) – antes já registrada por Jacob do Bandolim (1964), para quem foi composta originalmente –, que traz ainda homenagens (retratos) a Pixinguinha, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga, além do citado Nazareth. No bis, o Odeon de Nazareth, um de seus mais conhecidos choros e certamente a peça mais popular daquele concerto, erudito, mas popular e acessível. Em todos os sentidos.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

TRIBUTO A VIEIRA: OUÇA!

12 de abril, domingo de páscoa, Ricarte Almeida Santos apresentou um Chorinhos e Chorões especial, em homenagem a mestre Antonio Vieira, que havia subido em 7 de abril. Participamos da homenagem este blogueiro, Arlindo Carvalho, Celson Mendes, Nívia Saraiva e Rosa Santos. Tanta coisa pra falar, acabou rolando um programa especial, duas horas de duração. O áudio, sem os comerciais, você pode ouvir, bloco a bloco, abaixo. Rremembremos, pois.







Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

ALICE



Gilberto Martins levou o troféu de melhor ator por Reverso, de Francisco Colombo. Bueno, qualquer dos três atores dessa pequena obra prima poderia ter levado o prêmio: não há desnível na equipe. Mas quem levou foi o estudante da UFMA. E ele 'tá na peça Um jantar para Alice, livremente inspirada em Lewis Carrol, que estreia nessa quarta-feira (8), às 20h, no Teatro Arthur Azevedo.

A promoção é do DAC/Proex e do Centro de Ciências Humanas da UFMA e a realização é do Grupo Drao Teatro da In(Constância), surgido dentro da licenciatura em Teatro da Federal. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é 14 anos. Os ingressos devem ser retirados na bilheteria do TAA com duas horas de antecedência.

DE NOVO EM SÃO LUÍS

COMEÇANDO A SEMANA...



Iniciando as dicas da semana (mais ainda vêm por aí, aguardem!): a banda Negokaapor (foto), finalizando seu segundo disco, @parelha, volta aos palcos ilhéus, acompanhada da banda Afroakomabu e da cantora Célia Sampaio. A apresentação acontece no Centro de Cultura Negra (CCN) (Coroadinho/João Paulo), no sábado (11), a partir das 18h. Os ingressos custam apenas R$ 5,00. Maiores informações: (98)8805 2001.

Domingo, 5 de Julho de 2009

HOJE, IMPERDÍVEL





Os violonistas Daniel Wolff (RS) e João Pedro Borges (MA), nessa ordem nas fotos acima, cujos créditos não tenho, se apresentam logo mais às 19h30min, no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). Os ingressos custam apenas um quilo de alimento não perecível.

A apresentação faz parte do projeto Sonora Brasil, do SESC, pela qual os músicos e professores já riscaram bons pedaços do mapa do Brasil. A apresentação em São Luís, terra de Sinhô, como João Pedro Borges também é conhecido, é a de número 53 da turnê. Ao todo, eles farão 80 apresentações.

Cada violonista toca peças de compositores de suas regiões: Daniel Wolff, primeiro brasileiro doutor em violão, do Sul; João Pedro Borges, do Nordeste. Assim, o maranhense executa composições de Marlos Nobre (Homenagem a Villa-Lobos, Ciclo Nordestino), José Siqueira (Cinco invenções para violão), Nicanor Teixeira (Cantiga), Lindemberg Cardoso (Pequeno estudo para violão), além do próprio (Maria Luísa, valsa composta em homenagem à saudosa filha de Ricarte Almeida Santos e Cristiane Moraes, de quem o ex-integrante da Camerata Carioca foi padrinho de batismo). O gaúcho executa Innominata (Henry Wolff), Poemeto (Fernando Mattos), Ritmata (Edino Krieger), Sonhando de alegria (Jaime Zenamon), Scordatura (de sua autoria), além do segundo movimento da Suíte Retratos (Radamés Gnattalli).

Esta é a 12ª. edição do Sonora Brasil, que este ano tem como tema o Violão Brasileiro. Outras três duplas de concertistas também percorrerão o país, em outras etapas: Henrique Annes (PE) e Marcelo Fernandes (MS); Salomão Habib (PA) e Fabrício Borges (PR); e Aluísio Laurindo Júnior (AP) e Nicolas de Souza Barros (RJ).

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

ERIKA LARISSA

Erika me procurou ontem com a pressa típica de quem está às vésperas de defender monografia. A dela era acentuada, ela já não estava às vésperas: a defesa seria ontem mesmo. Perguntava-me se podia ajudar com a apresentação de slides para a defesa. “Posso”, respondi, mesmo assustado com o prazo. Tivemos sorte, a turbulência da maré de problemas deu um tempo e eu consegui montar o power point com base no roteiro que ela havia me passado por e-mail.

Erika, minha prima, que já havia sido aprovada em vestibulares para Serviço Social (UFMA, cuja matrícula trancou) e Direito (UFMA, que continua a cursar), estava terminando o curso de Letras (Santa Fé), ela, oito ou nove anos mais nova que eu, ela, que começou o curso depois que eu comecei Jornalismo, eu montando os slides sobre Literatura em Língua Portuguesa: os casos de Goa, Macau e Timor Leste, seu trabalho de conclusão de curso, a monografia que ainda não li.

Enquanto ia armando a sequência dos slides, procurava distraí-la, msn aberto. Trabalhava e papeava: avisava-lhe do lançamento do 19º. número da Coyote e perguntava o que ela havia achado da edição anterior, que lhe dei: “Ainda não li. Tem tempão que não leio nada que não seja assunto da mono”. Respondi com um “e o vagabundo aqui tem tempão que não lê nada pra mono. ‘Tou terminando o Pornopopéia, novo do Reinaldo Moraes, calhamaço de quase 500 páginas, hilário”. Ela ria.

“Onde vai ser o chopp do dez?”, perguntei. “Vai ser dez não. Já perdi ponto em normalização”. Disse que duvidava, que não se perde pontos por isso. No máximo, a banca dá prazo pro aluno corrigir etc. e tal. E mostrei minha birra: “Porra! Tu com um revisor/normalizador na família, vai perder ponto nisso?”. “Pois é, papai me disse. Mas terminei muito em cima, não deu tempo”, ela se justificou e eu me prontifiquei: se preciar mexer em algo depois, me avisa.

Sua conexão caiu e eu precisava sair para buscar a esposa no cursinho e ir almoçar. Terminei a apresentação de slides e mandei por e-mail, que tinha por resposta, ao tornar do bandeco, um singelo “valeu! Depois a gente acerta. E cuida logo com a tua!”.

Acabei não indo tomar umas com Erika, ontem, para celebrar o dez que ela obteve. Dijé, a mãe cujo sorriso largo eu podia ver na face mesmo por telefone, havia me ligado há pouco dando a notícia. Susalvino, o pai, me ligou pouco depois convidando para a celebração, merecida. Devolvi a ligação, parabenizando-os e pedindo para falar com a garota nota mil: “Olha, posso até não ter defendido a minha ainda, mas de monografia eu entendo”, disse-lhe “arrogantemente”, entre um sorriso de parabéns arrematado com a pergunta “eu não te disse que era dez?”.

Fiquei feliz como se eu mesmo tivesse tirado aquele dez, recompensa por todo seu esforço – ela, às vezes, tida como “chata”, por ficar no quarto entre livros enquanto a família-turma bebia ou via um jogo da seleção. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. “Esses jogadores estão todos de vida ganha”, era adágio que ela bem poderia ter dito em alguma ocasião – eu mesmo nunca ouvi.

Erika agora vai ter tempo de sobra para ler a Coyote anterior, a que está por chegar e a edição de Quampérius que tenho para presenteá-la.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

SÁBADO



Outra opção para sábado (4) é o show Pra dançar, do cantor, compositor e instrumentista Tião Carvalho (foto). O maranhense radicado em São Paulo se apresenta na continuação das festividades de 14 anos do Bar do Porto (Praia Grande). O som começa às 22h e os ingressos custam R$ 10,00.

LOGO MAIS

IMPERDÍVEL!



Pra quem tá no rio, aviso usando o mesmo título do e-mail, "imperdível!", que recebi duma amiga: lançamento de Todo Domingos, segundo disco da carreira de minha queridamiga Flávia Bittencourt, maranhense radicada no Rio, todo dedicado à obra de Dominguinhos.

Na minha modesta opinião, será um dos grandes momentos da música maranhense em 2009 (e olha que não serão poucos). Já ouvi algumas coisas, pelo rádio e por mp3 pré-mixagem que Flávia andou me enviando por msn, e a moça cresceu, em todos os aspectos. Se Sentido (2004), seu primeiro disco, já era muito bom, este agora promete muito. É esperar. Ou, se você estiver no Rio, ir vê/ouvi-la.

WADO



Fortalece aí. Do Terceiro Mundo Festivo (baixe, de graça, no site do cabra!). Wado lança disco novo ainda em julho: Atlântico Negro.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

BILHETE EM P&B EM DISCO DE CHEIO DE COR



Olho de Boi é um sonho acalentado há muito tempo. Só que conheço Gildomar Marinho já se vão cerca de dez anos e este disco dá uma panorâmica em mais de vinte anos de produção musical (paralela ao ofício de bancário), outrora restrita a amigos mais próximos.

O envelope selado por Gildomar Marinho e postado tendo como destinatários os ouvidos do mundo traz samba, reggae, coco, xote, baião, bumba-meu-boi, toada, ladainha, alegoria, retratos em preto e branco, saudades coloridas, os diálogos musicais tidos entre o Maranhão e o Ceará (onde o artista morou), no primeiro sobretudo a Ilha capital, as margens do Tocantins em Imperatriz e a baixada de tantos sotaques.

Um cosmopolita da música, solto no mundo, nas estradas da vida, pronto para ocupar rádios, bares, lares e quaisquer espaços onde se valorize a boa música.

Este disco é registro de parte pequena, mas bastante significativa, da obra de Gildomar Marinho, cantor/compositor/violonista ainda pouco conhecido, mas merecedor, de já, de figurar entre os grandes de nossa música.

Não escondo meu orgulho em ser seu parceiro-irmão, amigo de copo e alma, algo intraduzível em texto. Como a própria obra de Gildomar Marinho: ouça! E tire suas próprias conclusões.

*

Texto de apresentação deste blogueiro no encarte de Olho de boi, disco de estreia de Gildomar Marinho, onde compareço ainda assinando a letra de Lembra?, reggae em parceria com ele, e o projeto gráfico, com Beto Nicácio (Dupla Criação). O disco já 'tá na fábrica e deve chegar em breve (quando teremos o prazer de anunciar shows de lançamento etc.). Antes, Gildomar se apresenta neste sábado (4), no Clube do Choro Recebe, sobre o que você lê mais aqui.

MOSAICO POPULAR BRASILEIRO



“Pobre, no Maranhão, ou é Batista ou é Ribamar. Eu saí Batista.” Era assim que João Batista do Vale (1934-1996) anunciava-se no mítico espetáculo Opinião, quando se destacou no palco ao lado de Nara Leão e Zé Kéti. Autor de clássicos da música popular, como Carcará (parceria com José Cândido) e Pisa na fulô (com Silveira Júnior e Ernesto Pires), o compositor maranhense é homenageado no especial Mosaicos – A Arte de João do Vale, que a TV Cultura exibe dia 5 de julho (domingo), às 20h30min.

O programa mostra os feitos de várias gerações de artistas que fizeram e fazem a história da Música Popular Brasileira. A vida desses mestres e as músicas que os consagraram são contadas e cantadas em Mosaicos.

A atração usa imagens raras, captadas pelos antigos programas musicais da emissora, mescladas a apresentações musicais de cantores da nova geração, que homenageiam um artista de referência a cada semana.

JOÃO DO VALE - Este documentário musical revê a trajetória do compositor maranhense João do Vale, com imagens do acervo da TV Cultura e apresentações inéditas de Zeca Baleiro (Pipira), Feitiço de Mulher (Estrela Miúda) e Tião Carvalho (Baião de viola). Papete, Zé Américo Bastos e Amelinha, além de soltarem a voz em algumas canções – como Amar quem eu já amei e Na asa do vento –, contam histórias sobre o amigo contestador e espirituoso. A narração é de Rolando Boldrin e a direção de Nico Prado.


[João do Vale, o disco produzido por Chico Buarque, Fagner e Fernando Faro no início da década de 80, trazia nomes como Amelinha, Gonzaguinha, Jackson do Pandeiro, Alceu Valença, Fagner, Chico Buarque e Tom Jobim, entre outros. Capa. Reprodução.]

*

Este texto é uma colagem do release do programa, retirado do site da emissora, e de um e-mail de Zé Américo Bastos, recebido via outro João Batista, mais conhecido como Joãozinho Ribeiro.

SERVIÇO: 14 ANOS DO BAR DO PORTO

O Bar do Porto completa 14 anos nesta sexta-feira (3). A partir das 22h rolam apresentações de Santacruz e banda, Tambor de Crioula de Santa Luzia, Grupo de Capoeira Tombo da Ladeira e os DJs Riba Roots e Waldiney. A produção não informou o valor do ingresso nem que apresentações acontecem dentro do bar ou na praça.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

TRIBUTO A SÉRGIO SAMPAIO



A organização é do meu amigo Sérgio Castellani, tão ou mais fã de Sérgio Sampaio que eu. O serviço 'tá aí no e-flyer. Imperdível, pra quem 'tá em Sampa.

QUINTA DE PRIMEIRA

A revista que Iramir Araújo e cia. lançam na quinta-feira (2) é das várias coisas que ficaram pendentes na gestão passada do governo (leia-se: Jackson Lago, governador do Maranhão; leia-se: Joãozinho Ribeiro, secretário de estado da cultura do Maranhão). É das várias coisas que levarão o horroroso "trenzinho colorido" com o arrogante "de volta ao trabalho", logomarca do velho "novo tempo" (aliás, como estão horríveis viaturas e prédios públicos "coloridérrimos") a indicar o apoio do "Viva Cultura", a cultura mais morta que nunca, com o retrocesso total no setor. Quem discordar, responda: cadê os editais?

Alguns "artistas" irão calar, com medo de perderem a boquinha, de não mais serem "ajudados" (sim, meus caros, no Maranhão, isso ainda é possível) etc. Não é o caso de Iramir e cia.: a revista Balaiada tem texto de apresentação de Joãozinho Ribeiro.

Acho justo que sejam colocados os pingos nos is.

O serviço do lançamento 'tá no convite abaixo:



Sobre a revista, escrevo em breve, que eu mesmo ainda não li. Mas em se tratando de Iramir e cia., sei que vem coisa fina por aí.

SEXTA

GRITA REALIZARÁ CURSO DE INICIAÇÃO TEATRAL

As aulas terão início dia 6 de julho, ocorrendo às segundas, quartas e sextas-feiras no horário das 18h às 21h.

Aberto para maiores de 18 anos, o Curso de Iniciação Teatral do Grupo GRITA, que será realizado durante todo o mês de julho no Teatro Itapicuraíba, sede do grupo no bairro do Anjo da Guarda. O curso terá carga horária de 36 horas e será ministrado pelo teatrólogo, ator e diretor Cláudio Silva, que em mais de 30 anos de carreira traz em seu currículo de ator mais de 20 espetáculos, além de assinar a direção de várias montagens, como Aves de Arribação, de Aldo Leite (2002); Floresta dos Guarás, de Josias Sobrinho (2006); A Casa do Bode, de J.C. Lisboa (2007) e está há mais de 10 anos na direção geral da Via Sacra do Anjo, o maior espetáculo a céu aberto do Maranhão, que em 2009 recebeu um público de aproximadamente 250 mil pessoas em dois dias de apresentação. Cláudio Silva é também fundador e coordenador do departamento cênico do Grupo GRITA.

As inscrições para o Curso de Iniciação Teatral podem ser realizadas no Itapicuraíba, entre 8h e 11h e 14h e 17h, custando R$ 30 (taxa única). As aulas terão início dia 6 de julho, ocorrendo às segundas, quartas e sextas-feiras no horário das 18h às 21h. Mais informações pelo telefone 3228-9840 e pelo email: grupogrita@grupogrita.org.br

[de release recebido por e-mail]

DUAS SEMANAS



Trailer/"mixer" (cartaz abaixo) de Descolados, nova série que a MTV estreia em duas semanas (dia 14 de julho, não sei a hora) e sobre o que não sei mais do que o mano Marcelo Montenegro, um dos roteiristas, tem postado em seu blogue. Uma ótima notícia!

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

A NÃO TRIBUNA CULTURAL


[Cáritas está trabalhando em projeto de reconstrução de moradias destruídas pelas enchentes. Foto: Acervo Cáritas Brasileira Regional Maranhão]

Ontem, irresponsabilidade fruto do atropelamento de afazeres em que me encontro, acabou não rolando a Tribuna Cultural. Quer dizer, até rolou, mas fugindo do tema: como o colunista aqui não enviou texto, espertamente a turma de Gojoba publicou este texto no lugar. Domingo que vem estamos de volta ao (a)normal. Hasta!

Sábado, 27 de Junho de 2009

BOA PEDIDA!

Dia 4 de julho, sábado que vem, o Clube do Choro Recebe (Restaurante Chico Canhoto, Residencial São Domingos, Cohama, 19h) volta, com shows do Instrumental Pixinguinha e Gildomar Marinho, que aproveitará a ocasião para fazer uma espécie de avant première de seu disco de estreia, Olho de Boi, que será lançado em breve (ainda não nesse show).

Depois, para a famosa, sagrada e tradicional estica, eis uma boa pedida:



Milla Camões também deverá cantar coisas de seu disco de estreia. Ao lado de Gildomar Marinho, Lena Machado e Flávia Bittencourt (que lança em breve Todo Domingos, todo dedicado ao repertório de Dominguinhos) são as promessas (anunciadas) da música maranhense em 2009.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

EM JULHO, NA ILHA

DE BOB DYLAN A BOB MARLEY: UM SAMBA-PROVOCAÇÃO



Quando Bob Dylan se tornou cristão
Fez um disco de reggae por compensação
Abandonava o povo de Israel
E a ele retornava pela contramão

Quando os povos d'África chegaram aqui
Não tinham liberdade de religião
Adotaram Senhor do Bonfim:
Tanto resistência, quanto rendição

Quando, hoje, alguns preferem condenar
O sincretismo e a miscigenação
Parece que o fazem por ignorar
Os modos caprichosos da paixão

Paixão, que habita o coração da natureza-mãe
E que desloca a história em suas mutações
Que explica o fato de Branca de Neve amar
Não a um, mas a todos os sete anões

Eu cá me ponho sempre a meditar
Pela mania da compreensão
Ainda hoje andei tentando decifrar
Algo que li que estava escrito numa pichação
Que agora eu resolvi cantar
Neste samba em forma de refrão:

"Bob Marley morreu
Porque além de negro era judeu
Michael Jackson ainda resiste
Porque além de branco ficou triste"

*

Letra e música de Gilberto Gil (in: O eterno deus Mu dança, 1989), a homenagem desse blogue ao “king of pop”, Michael Jackson, e seu inesquecível moonwalk, falecidos ontem.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

NINGUÉM PODE NOS CALAR

Não só por que as fiz, mas acho essas fotos fortíssimas. Havia muito tempo não participava de algo tão emocionante, o lançamento do Tribunal Popular do Judiciário. Terminado o dia estava super-cansado, mas feliz.



Dom Xavier Gilles profetizava: "os jornais não darão uma linha sobre isso aqui, mas é preciso que façamos a nossa parte". Acertou na mosca e antecipo desculpas a quem porventura tiver publicado: confesso que não li todos os muitos jornais ludovicenses de lá para cá. Mas não duvido que o bispo de pena e verve afiadas estivesse certo.



Oração latina (Cesar Teixeira), hinos da Igreja Católica, palavras de ordem, gritos e clamores por justiça eram entoados assim, todo mundo de mãos para cima, de braços dados. É ou não uma imagem forte?



Cesar Teixeira e Lena Machado entoaram Oração latina, música forte, pulsante, desses casos raros de músicas que caem em domínio público com seu autor ainda vivíssimo. "Com as bandeiras nas ruas ninguém pode nos calar/ (...)/ Ninguém vai ser torturado com vontade de lutar", diz a letra, entre outras verdades.



Por detrás da multidão, passava o Liberdade. Aqui na foto era só um ônibus com destino ao bairro, mas quiçá, com o Tribunal Popular do Judiciário, Liberdade e Justiça possam ser grafadas em maiúsculas assumindo seus reais significados na vida prática e cotidiana de todos os seres humanos.



"Com as bandeiras nas ruas ninguém pode nos calar". E só estátuas de bronze (as ausentes do Pantheon), pombos e (espíritos de) porcos poderão seguir indiferentes ao clamor popular.

*

Clique aqui para ver mais fotos do Tribunal Popular do Judiciário.

*

Cesar Teixeira, acompanhado do grupo Chibé de Farinha Seca, apresenta o show Forró do Corta Jaca no arraial da Praça da Saudade (Madre Deus), neste sábado (27), às 20h. Grátis.

*

O Bar do Léo corre o risco de fechar. Ricarte Almeida Santosescreveu sobre, o que o blogueiro aqui fará em breve.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

MENINOS, EU VI


[Charge: Nani]

(...)

José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre. Desde antes da Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos generais para arruinar o projeto de nação – rico e popular – que se anunciava nos anos 1960. Conservador, patrimonialista e cheio dessa falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que ele, Sarney, vergonhosamente abandonou e renegou quando dela não podia mais se locupletar. Talvez essa peculiaridade, a de adesista profissional, seja o que de mais temerário e repulsivo o senador José Sarney carregue na trouxa política que carrega Brasil afora, desde que um mau destino o colocou na Presidência da República, em março de 1985, após a morte de Tancredo Neves.

(...)

Há poucos dias, vi a cara do senador José Sarney na tribuna do Senado. Trêmulo, pálido e murcho, tentava desmentir o indesmentível. Pego com a boca na botija, o tribuno brilhante, erudito e ponderado, a raposa velha indispensável aos planos de governabilidade do Brasil virou, de um dia para a noite, o mascate dos atos secretos do Senado. Ao terminar de falar, havia se reduzido a uma massa subnutrida de dignidade, famélica, anêmica pela falta da proteína da verdade. Era um personagem bizarro enfiado, a socos de pilão, em um jaquetão coberto de goma.

(...)

*

Com grifos meus, trecho de Sarney, o homem incomum, texto do jornalista Leandro Fortes publicado em seu blogue Brasília, eu vi (não sei se saiu também na CartaCapital: os péssimos serviços de entrega da revista aos assinantes ainda não me deixaram ler meu exemplar essa semana).

*

Paulo Henrique Amorim e Ricarte Almeida Santos também já ecoaram a voz de Fortes.

GRITO POPULAR CLAMA POR NOVA JUSTIÇA

Lançamento do Tribunal Popular do Judiciário reuniu mais de 500 pessoas em São Luís, segunda-feira passada (22).


[Manifestantes ocuparam a Praça do Pantheon, em ato na tarde de segunda-feira (22)]

Denúncias das mais “comuns”, como juízes “TQQ” – os que só estão nas comarcas às terças, quartas e quintas-feiras – ou mesmo comarcas sem juízes e/ou promotores a denúncias mais graves, como as relações espúrias entre os três poderes, com a troca de favores e auto-subserviência, além de estupradores e assassinos gozando de liberdade e impunidade, “protegidos” pelo esquema denunciado. Não foram poucas as falas nesse sentido, mostrando que a cultura de privilégios e inoperância do judiciário nem é nova nem ocupa percentual pequeno do mapa do Maranhão.

Leia aqui o texto completo.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

NANI. GENIAL



Mais aqui.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

CONVERSAS LITERÁRIAS

17 de setembro do ano passado: eu, Fabreu, Marla e Gilson César fomos à Capinzal do Norte pelo Conversas Literárias. A ideia do projeto era sempre (aconteceu em vários municípios) colocar um jornalista (eu) conversando com um escritor (Fabreu). Em Capinzal, contamos com a presença do poeta local Cícero Gomes de Oliveira. Foi uma experiência interessante.

A foto abaixo é a digitalização de parte da página que tem o texto de Fabreu sobre a viagem, na revista Conversas Literárias, lançada em abril passado. O texto, ele provavelmente postará em seu blogue, a estrear em breve, aguardem.

O título de meu texto, na revista na página seguinte ao de Fabreu, cita diretamente Relatos do escambau, estreia dele.


[Fernando Abreu, Zema Ribeiro e Cícero Gomes de Oliveira dando vida ao projeto em Capinzal do Norte. Legenda da revista. Foto: Marla Silveira]

RELATOS DE CAPINZAL

ZEMA RIBEIRO*

Auto-considerado um homem de bastidores, recusei por duas ou três vezes o convite. Que tinha eu a falar? Dava uma desculpa qualquer e declinava. Sempre. Mais um convite e já não havia como dizer não. Ao ser informado que eu dividiria a mesa com Fernando Abreu – “um cara de que gosto muito e cuja obra conheço”, pensei – aceitei, “de imediato”, o convite para participar do projeto Conversas Literárias: um jornalista (ou quase) conversa com escritores da capital e do interior, promovendo intercâmbios, trocas de experiências, interação com o público.

Iríamos à Capinzal do Norte, município recém-nascido – pedaços de Lima Campos, Codó, e Santo Antonio dos Lopes, de deliciosa cachaça que ainda comprei de lembrança – mas com talentos já de idade: Cícero Gomes de Oliveira, poeta setentão, lavrador que criou os não-lembro-quantos filhos com a roça que capinava, trocou a enxada pela pena e nos deixou encantados com sua obra, Verdades em poesia, cujos versos li sôfrega e apressadamente antes de começarmos o bate-papo numa quadra de esportes.

Deixou-me positivamente admirado o público ali presente, crianças mais ou menos prestando atenção, jovens e adultos interessados, uma banda musical formada por adolescentes, parecíamos grandes estrelas – Fabreu, contente, depois, deu autógrafo até em camisa de time de futebol, além, é claro, de em seus O umbigo do mudo e Relatos do escambau; o terceiro se aproxima, conversávamos no carro, na ida, na vinda, enquanto contávamos histórias engraçadas, cochilávamos e ouvíamos discos levados pelo magnífico Gilson César, mímico que quase nos rouba a cena.

Capitaneado por Marla Silveira, o Conversas, entre outros pontos positivos, ajuda também a divulgar a literatura maranhense, deixando obras nas bibliotecas municipais por onde passa. Quando fui, era dia quente, estrada longa, a vida imitando a literatura, nós-retirantes desbravando as letras e o Maranhão. Que o Conversas dê um longo calhamaço, obra em progresso ainda longe do ponto final.

*Entre outras coisas, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com. Participou do projeto Conversas Literárias em Capinzal do Norte, no dia 17 de setembro de 2008

Domingo, 21 de Junho de 2009

COLUNA ANTI-SOCIAL

Em Inverdades, André Sant’anna devolve a condição humana a celebridades.


[Inverdades. Capa. Reprodução]

Não à toa, André Sant’anna avisa, de início: “Qualquer semelhança com fatos reais, neste livro, é mera coincidência. As pessoas citadas não existem e nunca existiram. Eu também não existo”. O escritor, que se sai agora com o ótimo e engraçadíssimo Inverdades [7Letras, 2009, 66 páginas, R$ 22,00], tece um rosário de ficções com nomes de gente famosa: Lula, Ronaldo, Sandy, Mick Jagger, Beatles, Nelson Rodrigues, João Gilberto, Paulo Coelho, Jimi Hendrix, Miles Davis, Bill Clinton, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Tim Maia, entre muitos outros.

Um trecho, sobre o trio musicalmente formado na Tijuca: “as moças que o Roberto Carlos, o Erasmo Carlos e o Tim Maia amavam muito nem ligavam pras canções que eles faziam. Talvez por isso as canções fossem tão bonitas”. Esta, uma das verdades pescadas entre as ficções, Inverdades de André Sant’anna. Sandy foge de casa e escreve uma carta aos pais, Jimi Hendrix “desliga”, Miles Davis conversa com Duke Ellington depois de mortos, sobre suas lápides eternas. Nelson Rodrigues sente dores – gases? – durante a madrugada e pensa e vê putaria no apartamento em frente.

André Sant’anna reduz seres famosos à sua condição inicial: gente. Simples, comum. Produz uma espécie de colunismo anti-social onde, em vez de se valorizar o fashion mundinho podre de fofocas e saber quem está saindo com(endo) quem, outras Inverdades são desnudadas. Seus contos ligeiros são uma delícia de se ler e talvez esta seja sua obra mais engraçada – Sexo e O paraíso é bem bacana são também bastante recomendáveis. O livro é uma espécie de reality show do lado “não (necessariamente) belo” de gente comum: as celebridades que não existem – peças de ficção, ao menos seus atos são – mas se embriagam, peidam e fazem outras coisas “intoleráveis”.

Se o colunismo social devolvesse às celebridades sua condição humana, talvez atingisse parte da graça alcançada por André Sant’anna nesse Inverdades. O jornalismo – com ou sem diploma – e o mundo seriam bem melhores...



[Tribuna Cultural, Tribuna do Nordeste, hoje]

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

COLOMBO, REALIDADE E FICÇÃO

[Íntegra da entrevista publicada nO Imparcial de hoje. Reverso será exibido no bloco das 19h, amanhã (20), no Teatro Alcione Nazaré, Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande]

Francisco Colombo é o diretor do único filme maranhense que concorre na 32ª. edição do Festival Guarnicê de Cinevídeo, este ano.


[Reverso. Cartaz. Reprodução. Foto: Evandro Filho (still)]

Diversos realizadores maranhenses participarão do 32º Festival Guarnicê de Cinevídeo nas categorias vídeo, videoclipe e vídeo de um minuto. O radialista e professor universitário Francisco Colombo é diretor do único filme [finalizado em película, na bitola 35mm] maranhense que competirá nesta edição de um dos mais tradicionais festivais do país – que este ano sofreu um abalo com a debandada de patrocinadores, que alegaram, entre outros motivos, a crise mundial, para reduzir (e até mesmo zerar) o apoio ao grande acontecimento anual do cinema no Maranhão.

Influenciado por nomes tão distintos como Truffaut – o título de seu penúltimo curta era o singular da tradução Os incompreendidos para Les quatre cents coups (1959) – e Joe Carnahan (Narc, 2002), entre muitos outros – o diretor é, antes de tudo, um “leitor” –, é daí que Colombo provavelmente tira a inspiração necessária para a beleza da violência de Reverso – o título que concorre ao Guarnicê desse ano – sem tornar-se mero panfleto, e sem se preocupar também com o que é (ou não) politicamente correto.

Cinco minutos em plano sequência. 16 tomadas até o resultado final, ideal – perfeito, eu diria. Três atores em cena e uma câmera enredando-os. A crítica ao sistema capitalista numa tradução sincera e em tom de denúncia da sociedade brasileira, até hoje escravocrata. A nervosa trilha sonora de Beto Ehongue (da Negoka’apor) traduz o medo – que já não pertence somente a este ou aquele personagem: será de toda a plateia. Ou já é, quando cada um de nós percorre as ruas das cidades em clima de insegurança e abandono – como os personagens de Francisco Colombo, com quem conversamos, no terraço de sua residência, boca da noite de domingo passado (14), sobre Reverso, outros trabalhos seus e política cultural.


[Colombo exibe Reverso para a reportagem]

ENTREVISTA: FRANCISCO COLOMBO

Zema Ribeiro – Como foi o processo de concepção de Reverso, da ideia do roteiro até o filme em si?

Francisco Colombo – Esse roteiro é engraçado, por que o filme é pequeno, é um curta, em plano sequência, mas o roteiro surgiu há vários anos. Precisamente em 2004, num dia em que eu saía da Faculdade São Luís [onde o diretor dá aula], acompanhado do professor Junerlei [Moraes, da UFMA]. A gente ‘tava dando uma oficina de técnicas de reportagem, salvo engano, numa semana de comunicação. Aí eu saía de lá com uma câmera na mochila e ele, meio apavorado, me perguntava: “tu não tem medo de ser assaltado? E se aparecer um ladrão?”, e eu dizia que se aparecesse um ladrão eu ia tentar conversar. Cheguei em casa e comecei a esboçar o roteiro e levei vários anos nisso. A ideia inicial previa o uso de uma parte em desenho animado, algo bastante piegas. Só que foi evoluindo, com o passar do tempo, no final de 2008 uma colega ajudou e eu achava que o final ainda era uma incógnita, e ela deu uma sugestão e eu cheguei então à versão final. Mas é claro que o roteiro, ainda que se chegue a uma versão final, ele se defronta com uma realidade, que é a realidade de filmagem, da locação, dos atores, as contribuições que cada um tem que dar, então, na verdade, a versão final é a versão do filme mesmo, que não tem como mascarar, de forma alguma, por que ele foi rodado em plano sequência.

ZR – Então a idéia do professor apavorado acaba acontecendo no filme, em que tu és roteirista e diretor, em plano sequência.

FC – É, o personagem tem uma câmera e ele é abordado.

ZR – Ele já foi pensado para ser plano sequência?

FC – Não. Acontece que eu ‘tava saindo de uma produção, de outro filme, chamado A espera, um filme de época, ambientado nos anos 60. Eu era só produtor, a direção e o roteiro são de Léa Furtado, e foi um filme muito puxado. Tem gente que pensa que o produtor é o cara que só administra que dá ordem, que controla dinheiro...

ZR – [interrompendo] A imagem do diretor sentado naquela cadeirinha bonitinha...

FC – Pois é. Eu não consigo conceber uma coisa como essa, eu sou um produtor que bota a mão na massa, mesmo. Eu ia diretamente atrás das coisas, pagava as pessoas, e às vezes eu carregava coisas mesmo, carreguei muito...

ZR – [interrompendo novamente] Que é um retrato não só de produção em cinema no Maranhão, mas em todas as áreas artísticas...

FC – [devolvendo a interrupção] Principalmente no Maranhão.

ZR – O artista é desde o carregador de piano até o cara que toca o piano mesmo.

FC – Ele afina, ele reforma, ele toca, ele faz tudo. Foi assim que aconteceu. Eu saí de uma produção muito puxada e já estava quase desistindo de filmar o Reverso, e eu falei para o diretor de fotografia: “só se for em plano sequência, por que eu não consigo mais pensar em decupagem”, embora já existisse uma decupagem. Só que eu não estava mais familiarizado com ela, já que o roteiro já tinha um bom tempo de elaborado. Havia uma versão que pensava os planos em separado, todo um planejamento. Só que eu já estava um pouco distanciado disso, acabei jogando como uma piada, vencido pelo cansaço e o Ralf [Tambke, diretor de fotografia] disse: “boa idéia, acho que um plano sequência resolve”. E aconteceu.

ZR – De onde veio a verba para Reverso?

FCReverso foi feito com a ajuda de amigos. E um pouco na rebarba de A espera. Veio ator para A espera, fotógrafo, assistente de fotografia, e como eram todos meus amigos, toparam entrar na aventura sem ganhar nada.

ZR – Com a trilha sonora, da mesma forma.

FC – Para a trilha houve um pequeno cachê. Mas não foi nenhuma imposição por parte do artista, o Beto Ehongue. Aliás, ele se doou como toda a equipe. Só que eu acho que por conta das circunstâncias, e também por que é justo a pessoa receber, negociamos um pequeno cachê, simbólico mesmo. Ele, de forma alguma fixou qualquer coisa. Foi uma atitude bem bacana dele, por que ele também queria estar numa obra cinematográfica e achou que era interessante esse momento, essa parceria. Foi bem legal o processo criativo com ele.

ZR – É uma música que ajuda a compor o ambiente nervoso do filme. Eu ‘tava revendo o filme ontem, Graziela [esposa do repórter] ‘tava no banho, e ela me dizia, depois, ter conseguido rever o filme inteiro na cabeça, justo por conta da trilha. Tu colocas um videomaker branco para filmar um bêbado num ambiente que nós [ludovicenses] sabemos que é a Praia Grande [bairro do centro histórico da capital maranhense] e ele é assaltado por um negro. Você não receia ser chamado de racista?

FC – Esse tipo de reação pode acontecer. Eu me preocupei bastante. Essa foi uma decisão muito difícil, aliás, de ser tomada, desde o começo. Mas o que acontece é que há vários fatores em torno disso, em torno dessa escolha. O primeiro é que não podemos ser hipócritas, de negar que isso retrata, de alguma forma, a estrutura social brasileira. E não fui eu quem inventou isso. E, aliás, eu sou contrário à manutenção desse tipo de sociedade. Eu sou muito contrário a essas formas de dominação. Eu acho, por exemplo, que o Maranhão é um estado herdeiro dessa escravatura, é um estado escravocrata ainda. As estruturas, o poder, o estado, que deveria ser um agente promotor do bem comum, é escravocrata. Enfim, eu tenho uma crítica forte a tudo isso que aí está estabelecido. Mas é importante lembrar que somente um personagem negro, um ator negro, poderia dizer o que o nosso assaltante diz no filme. Então isso não é por acaso. Não é uma atitude pensada, simplesmente: eu vou botar um negro para ser o assaltante. Só um negro, só uma pessoa que é vítima dessa história, dessa situação toda, poderia dizer as coisas que o assaltante diz no curta.

ZR – Que são coisas fortíssimas, que bem traduzem uma realidade.

FC – São coisas fortes. Eu acho que ele sintetiza, em poucas frases, uma crítica ao sistema capitalista, e toda a história do povo negro, do povo africano que foi arrancado e trazido para cá para ser escravo. Seria hipócrita dizer: ah, eu devia ter botado um assaltante branco. Outro fator que é muitíssimo importante é o fator estético: Gilberto Martins, o ator negro, o assaltante, é sensacional!

ZR – É, acho que toda a equipe do filme é muito boa.

FC – Mas eu falo especificamente dele, por que é o personagem negro, é o ator negro, que é um assaltante. Penso que outro cara não seria capaz de fazer o papel que ele faz. Discutindo uma realidade hipotética, de inverter os papeis, acho que um não faria o papel do outro tão bem quanto cada um fez o seu, apesar dos dois atores serem muito bons. O Gilberto é um ator absolutamente singular e um ator no qual eu confio muito. Essas questões não podem ceder a uma pressão para fazer o que hoje, erroneamente, se chama de politicamente correto.


[Gilberto Martins e Antonio Saboia em cena de Reverso. Fotografia (still): Evandro Filho]

ZR – De onde vêm os atores? Tu já tinhas trabalhado com eles?

FC – Gilberto Martins é um ator que já trabalhou comigo num outro curta, chamado Procura-se [2006], que é uma brincadeira, um exercício de linguagem, embora não tenha repercutido. E por conta de eu ter trabalhado com Murilo [Santos, técnico e editor de som em Reverso] nO crime da Ullen [2007, direção de Murilo Santos], tivemos mais uma vez um contato. E desde Procura-se eu já pensava nele para ser este personagem do Reverso. Antonio Sabóia foi um ator que eu tive contato através de Breno [Ferreira, diretor maranhense], no filme Ódio [2007, direção de Breno Ferreira], em que eu fui o diretor de fotografia. Gostei muito da postura, do comportamento dele e percebi que ele tinha potencial para trabalhar outro papel. E deu certo. Nilsson Asp é um ator gaúcho que veio para São Luís para o filme A espera. Nos conhecemos em 2005, em Vitória/ES, e nos encontramos ano passado em Itajaí/SC, num festival de documentários. E ele aceitou, se doou bastante, é um ator gigantesco. A gente observa que é um elenco que se equilibra fortemente. Ninguém destoa do conjunto e não dá para dizer que isoladamente a é muitíssimo melhor que b. Daí a importância de se ter grandes atores para exercer quaisquer tipos de papeis.

ZR – As pessoas, às vezes, têm uma tendência a achar que curta-metragem é algo menor dentro do cinema. Qual a tua opinião sobre essa diminuição do curta?

FC – É o equivalente ao que as pessoas fazem do conto em relação ao romance, na literatura, o que eu acho uma bobagem. Tem contos, como curtas, que são absolutamente gigantescos, e longas e romances que não dizem nada. São bobagens, como também é bobagem o apego forte à literatura para se fazer adaptação, se querendo coisas absolutamente iguais, quando os suportes e as linguagens são absolutamente diferentes.

ZR – O que você espera de Reverso? Sabemos que corre o risco de acontecer, espero que não, o que aconteceu com O incompreendido ano passado, que eu pensava que seria [enfatizando] o filme do festival.

FC – Acho que Reverso é um filme muito forte, que deverá ser bastante significativo, talvez seja polêmico, talvez seja atacado. Às vezes a gente confia bastante no trabalho e acaba que depende do julgamento de umas poucas pessoas. Espero que ele dê certo, que repercuta. As poucas pessoas para quem já mostrei gostaram muito, ainda não ouvi nada de negativo a respeito. Mas O incompreendido, ainda assim, teve uma trajetória interessante: esteve em Cuzco [Peru], Santa Cruz de La Sierra [Bolívia], na Mostra Internacional de São Paulo, festival badaladíssimo, interessantíssimo, e uma das grandes vitórias dele, também, foi participar de festivais no sertão da Bahia, sertão de Pernambuco, em Natal, e na Mostra Paulista de Cinema Nordestino, todas ano passado. E para mim é muito importante isso por que ele foi para a periferia. Por que o cinema é sempre dito uma arte elitista e o produto final também é apreciado em circuitos elitizados, restritos, então eu achei bastante importante participar desses eventos por que a periferia de São Paulo, por exemplo, é um lugar habitado majoritariamente por nordestinos.

ZR – Que tem tudo a ver com a temática do próprio filme [O incompreendido], a história do menino que lava pára-brisas para ganhar uns trocados e tem o sonho de andar de carro e acaba um dia andando num camburão policial.

FC – Pois é, a maneira que se tem de realizar sonhos, né?

ZR – O que acaba sendo uma característica interessante de teus filmes, pelo menos dos, digamos, três maiores, Reverso, mais recente, O incompreendido e No fiel da balança, embora se valendo de elementos de ficção, acabam traduzindo realidades, acabam funcionando como documentários.

FC – A vida que nos cerca é muito importante para aparecer num trabalho, mesmo sendo ficcional. E há quem diga que a ficção, na verdade, é um tipo de documentário, por conta do registro do momento em si. Mas os filmes são impregnados daquilo que a gente vive, nossos medos, anseios, sonhos, e é também uma maneira da gente exprimir, expressar e ainda mandar um recado. Por isso esse senso de realidade é tão forte. E nesse filme, particularmente, a coisa chega a um estado tal, por que ele é filmado em plano sequência, praticamente não tem como se escapar.

ZR – O giro da câmera enredando os personagens durante o desenrolar da ação.

FC – Acho que isso vai ser um elemento muito forte, dando um nervoso, um medo, na tela grande. Ele vai ser projetado na tela 185, que é a maior tela de cinema que se tem aqui. Acho que o movimento, como a teia envolve os personagens, vai acabar enredando a platéia também, pois é muito forte.

ZR – Tu estás envolvido na produção de A espera. Como é que está esse processo?

FC – O filme está em processo de montagem. Houve um problema nos arquivos, é todo digital. Está vindo agora um HD com o back-up das imagens e então vamos retomar esse processo. É um filme que eu acho que vai ficar bem bonito, por que há um cuidado muito grande na direção de arte, há atores muito bons, caso do Nilsson Asp, da Arly Arnaud, que mora aqui em São Luís. Então penso que o resultado vá ser bastante interessante. Além do quê, o montador é Murilo Santos, que é uma pessoa que sente bem o filme para proceder os cortes.

ZR – Esse filme foi aprovado em edital público da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão. Como você analisa o momento atual por que passa a cultura do estado, indo na contramão do restante do país, quando se fortalece a política de editais em todo o Brasil, nas esferas municipal, estadual e federal, e o Maranhão, de repente, com a volta de Roseana Sarney ao poder e [do secretário Luiz] Bulcão à SECMA, já não se tem por exemplo um edital para a seleção de manifestações artísticas e artistas para as apresentações no período junino. Como você vê esse cenário?

FC – Sou completamente a favor dos editais. É a maneira mais democrática de produtores e artistas terem acesso aos recursos públicos e de dar satisfação à sociedade, quando se objetiva realmente um produto cultural. É lamentável não ter edital. No caso do cinema, particularmente, é muito triste. Já ouvi algumas pessoas dizerem, gente que entende do assunto, que o cinema no Maranhão foi uma das poucas coisas inovadoras no campo artístico. Não é uma fala minha, mas acho interessante que as pessoas levantem esse tipo de debate. E o que é mais interessante de dizer é que quem fez filme no Maranhão fez com raça, com vontade própria, por que o Estado sempre foi ausente. Quando há uma tentativa do Estado tentar, entre aspas, se redimir, e houve acertos, com a política de editais, agora, a meu ver, há um retrocesso. O edital da Secretaria era interessante, aconteceu com problemas, equívocos, era uma primeira edição, mas houve uma vontade muito grande de se corrigir e humildade. Achei essa postura bem interessante por parte do governo, na época. E também apreciei esse edital por que é bem parecido com o edital do BNB [Programa BNB de Cultura, no qual O incompreendido foi selecionado], por que é bem interessante, simples, não quer dificultar o entendimento do produtor e o acesso, por que a gente sabe que não é fácil compreender editais. É difícil ser artista e lidar com leis, com esses mecanismos de incentivo. A classe artística tem que se unir e tem que reclamar por que isso é um direito.

[NOTA: Reverso está entre os selecionados para a VI edição do Festival de Cinema de Maringá/PR, que acontece entre 3 e 10 de julho de 2009]

O FORRÓ DE CESAR TEIXEIRA NO SÃO JOÃO

[Reprodução de release recebido por e-mail]



O compositor Cesar Teixeira apresentará nesta sexta-feira (19) o espetáculo musical Forró do Corta-Jaca na Praça do Anjo da Guarda, às 20h, e no sábado (20) no Arraial do Ceprama, às 21h.

Ele será acompanhado pelo Grupo Chibé de Farinha Seca, integrado pelos músicos Pedrinho Vila Nova (sanfona), Moisés (contrabaixo), Quintino Neto (bateria) e Zé de Nazaré (percussão). Participação especial de um trio mirim de metais: Júlio, Tiago e Jota-Jota.

Cesar vai relembrar seus tradicionais sucessos, como Boi da Lua, Bandeira de Aço, Parangolé e Namorada do Cangaço, entre outras, e apresentar novas composições dedicadas ao período junino.

Devido à campanha de caça às bruxas do governo roseanista, imaginou-se que o compositor iria ser descartado dos festejos de São João. Prova de que o grito das ruas é que realmente preserva a cultura maranhense.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

CASTELO NÃO FAZ

(OU: AGORA VAI?)

Sou, por princípios, contra coisas como privatização, terceirização e falência de órgãos públicos. Essas coisas que o tucanato tanto adora.

A Coliseu fechou. A coleta de lixo em São Luís, há tempos, é realizada por terceirizadas. Se a empresa pública há muito não dava conta do dever de casa, a(s) terceirizada(s) também não.



Um monte de lixo amontoado na rua 21 de abril, Vila Passos, bairro vizinho ao centro da capital. A lógica dos garis é inteligente: amontoar o lixo num determinado local, para, depois, o carro parar e eles recolherem tudo de uma vez.



O carro do lixo não pode passar, pois na esquina de 21 de abril com Castro Alves, há essa vala, secular (ou milenar, sei lá), que já foi "consertada" na gestão de João Castelo. Talvez a foto não traduza a "grandeza" da obra, traduzida sonoramente em grandes estrondos (e posteriores xingamentos) quando motoristas desavisados tentam passar por seu lado mais fundo.



Em frente àquela vala, esta, donde jorra água, não sei se potável, dada a aparente limpeza da mesma, ou se de esgoto.



Aqui, distante menos de 30 metros da outra pilha, mais um monte de sacos de lixo. Se chove, o que não tem sido raro na capital maranhense, a rua 21 de abril enche (algumas casas por lá também, o jumento, coitado, não sabe nadar), bem como a Padre Anchieta, rua paralela que não aparece em nenhuma dessas fotos.

Esta é, infelizmente, pequeníssima amostra do que São Luís está hoje: uma ilha cercada de água por todos os lados, inclusive o de cima, com a água a entupir os não pouco buracos que a cobrem. Enquanto eu fotografava uma pilha de sacos de lixo, uma transeunte dava uma de diretora de fotografia: "fotografa aquele ali também, que esses políticos só querem saber de nós quando precisam do voto. Depois...", reticências que todos sabemos o que significam.

São Luís: buracos para todos.

(Fotos: Zema Ribeiro)

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

PORRADA!


[Cartaz. Reprodução. Foto: Evandro Filho]

Reverso. O novo curta de Francisco Colombo. Será exibido dia 20 (sábado), no bloco das 19h, no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), na programação do 32º. Festival Guarnicê de Cinevídeo. Escrevo sobre, em breve, por aqui. Mas de já recomendo: não perca!

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

HORA DE GUARNICÊ



Começa nesta quarta-feira (17) o 32º. Festival Guarnicê de Cinevídeo. Maiores informações e programação completa no blogue do festival, editado por Carlos Benalves e Nicolau Leitão.

ENTRE A HOLANDA E O BRASIL

Baixei, há um bom tempo, o áudio da gravação de um show de Ceumar na Holanda, em que ela canta (e toca) acompanhada dum trio de jazz, o Mike Del Ferro. Músicas como Dindinha (Zeca Baleiro), Banzo (Itamar Assumpção) e Cantiga (Zeca Baleiro), entre outras, em novas roupagens: voz e violão de Ceumar + piano, baixo e bateria. Finíssimo! Lindíssimo!

Como a cópia de outro disco ao vivo dela que tenho, outro projeto adiado, com uma Orquestra de Cordas cujo nome me foge agora, escrevo sem o disco em mãos, o projeto com o trio holandês me deixou desde que o ouvi pela primeira vez, ansioso. Saca de ter o disco, mas querer que todo mundo tenha também?

Ceumar acaba de lançar Meu nome (gravado ao vivo no Brasil), onde mostra sua faceta compositora (algo que já aparecia aqui e ali nos dois discos anteriores). E anuncia que o disco com o trio de jazz holandês vai rolar também, em breve.

Abaixo, um vídeo onde ela canta Ia ia (Zeca Baleiro). Pra vocês terem uma ideia de que não há exagero em nada que falo.

POESIA CHAPADA EM LIVRO

Em A musa chapada, poemas de Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte ilustrados por Carlos Carah apresentam novas possibilidades para a relação poesia e drogas.

POR ZEMA RIBEIRO*
ESPECIAL PARA O ALTERNATIVO



[A musa chapada. Capa. Reprodução]

Não é novidade a relação entre literatura – ou mais especificamente poesia – e drogas. Não é fácil também criar algo novo nessa relação que não cheire – opa! – a apologia barata, as lições de moral da auto-ajuda ou umbiguismo autobiográfico (para o bem ou para o mal e, às vezes, também com lições de moral baratas).

Em A musa chapada [Demônio Negro, 2008, R$ 20,00 em http://www.sebodobac.com], o encontro dos poetas Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte e do desenhista Carlos Carah, expande – ops! – o entendimento que se tem sobre o que é “droga” – se à menção do termo você só pensa em maconha, cocaína, crack, merla, heroína, haxixe e similares, que tal acrescentar a TV e alguns de seus programas no drugs hall of fame (principalmente a fé vendida na tela)?: “no canto da sala a TV ligada/ o pastor gritava/ (...)/ o poeta pirava/ “meu deus como pode/ tanta merda enlatada?/ que gente mais troncha/ que vida fodida/ (...)/ o real é a ilusão virtual dos que batem a cara contra o muro””, rima Ademir Assunção em A volta do anjo torto, poema com referências explícitas a Torquato Neto e Raul Seixas, dois malucos geniais.

Dedicado “à memória de Sérgio Sampaio”, e trazendo Itamar Assumpção como epígrafe, o trio dA musa chapada está bem acompanhado. Seja pelos beats, referência obrigatória em se tratando do assunto – e influência confessa dos poetas e do desenhista –, seja pelas personagens que povoam o livro: Lili Maconha, Mister Morfina, a Senhora dos Sonhos, O anjo do ácido elétrico (título de poema de Ademir Assunção), Santa Maria Joana (idem), Johnny Walker e João Bafo de Onça, entre outros, além da música de Miles Davis.

O recado de Antonio Pietroforte é direto em Poligonia do soneto III: “quem diz que a droga mata anda errado/ tampouco, acerta aquele que comenta/ “usuário dá dinheiro a traficante,/ promove, com seu vício, a violência”/ prefiro dar dinheiro pra bandido/ que vende, honestamente, seu produto/ se pago imposto, não recebo nada/ sustento deputado vagabundo/ violenta é a fala da polícia/ que fuça, no meu bolso, feito rato,/ aumenta, com propina, seu salário;/ a erva que se fuma só acalma,/ trabalho mata mais do que cigarro,/ por isso que eu fumo pra caralho!”


[Um dos desenhos de Carlos Carah em A musa chapada. Reprodução]

Nem um nem outro – nem o desenhista – ligam para o que é (ou não) politicamente correto. Dão seus recados sem transformar sua obra num apático manifesto a favor ou contra nada – a legalização das drogas, por exemplo. O que os autores fazem é apresentar a realidade nua e crua – mesmo em poemas ficcionais –, a inegável realidade da São Paulo paisagem dA musa chapada – mas não pensem que é diferente em outros lugares do mundo, bem aí do seu lado deve ter uma boca de fumo, uma “filial” da cracolândia, lugares simplesmente feios e sujos para a maior parte dos olhares conservadores. A vantagem é que ninguém é obrigado a nada.

Entre o lirismo e a ironia, os poemas de Ademir Assunção e Vicente Pietroforte tão bem ilustrados pelas “lentes manuais” de Carlos Carah são verdadeiros clipes de uma sociedade onde puritanismo é (quase) sinônimo de hipocrisia e, num circo de vaidades, (quase) todos se preocupam somente em consumir (drogas, inclusive) e produzir (por obrigação), sem olhar para o lado (leia-se, para os problemas que as/nos rodeiam), obtendo um pseudoprazer que, infelizmente, por vezes as satisfaz. A musa chapada é um tapa seguro e sonoro nesse bom-mocismo, nesse conformismo. Vai encarar?

*ZEMA RIBEIRO escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[No Alternativo, O Estado do Maranhão, de ontem]

Domingo, 14 de Junho de 2009

MAIS DANDA (E) DAQUI A POUCO: PROMOÇÃO

Tribuna Cultural, Tribuna do Nordeste, hoje.

DANDA, A TRADIÇÃO E O(S) SOTAQUE(S) DO CHORO

Choro tradicional com sotaque pernambucano em Volume 1, de Danda e Seu Regional de Ouro.


[Volume 1. Capa. Reprodução]

“Mais brasileiro de todos os gêneros musicais”, o choro volta a ocupar o espaço desta Tribuna Cultural, coluna irmã do Chorinhos e Chorões de Ricarte Almeida Santos, que hoje (14), apresenta o disco Volume 1, de Danda e Seu Regional de Ouro, logo mais às 9h, na Rádio Universidade FM (106,9MHz) – ouça o programa e ligue para (98) 3301-8106 e concorra a um disco da turma de Pernambuco. [NOTA: Gildomar Marinho será entrevistado no programa]

Em Volume 1 [independente], Danda e seu grupo recriam clássicos do choro – Noites cariocas (Jacob do Bandolim), Doce de coco (idem), Murmurando (Fon-Fon e Mário Rossi), É do que há (Luiz Americano) – e traz à tona choros de sua autoria e de músicos de seu Regional de Ouro – Conversando com o violão (Otaviano do Monte, o Xôxo), Melodia em fá maior (idem), No brilho dos teus olhos (idem) e Choro no saxoprano (Danda).

Gravado no Estúdio Engenho do Som, em Jaboatão dos Guararapes (PE), Volume 1 apresenta além do próprio Danda do Sax, o violão de Xôxo, o violão de sete cordas de Rubinho, o cavaquinho de Murilo (participação especial de Robinho), o pandeiro de Nô e a percussão de Jorge Pratinha.

É choro tradicional, como outro grande mestre do “saxoprano”, Saraiva, de quem Danda recria Seresta paulista. Este choro com sotaque pernambucano tem audição recomendada.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

DANDA DO SAX E GILDOMAR MARINHO

O Chorinhos e Chorões de domingo (14) apresentará o disco do saxofonista Danda e Seu Regional de Ouro, de Pernambuco, sobre o qual eu também escrevo em minha coluna, domingo, no Tribuna do Nordeste. Antecipo aqui o que anuncio lá: um cd do cabra será sorteado, mas só contarão as ligações recebidas durante o programa, que vai ao ar às 9h de domingo, na Rádio Universidade FM, 106,9MHz. O número da rádio é (98) 3301-8106 e o programa também pode ser ouvido pela internet, para quem não estiver no Maranhão ou não sintonizar bem no interior.

Ricarte Almeida Santos conversará também com Gildomar Marinho, que está finalizando Olho de Boi, seu disco de estreia, a sair em julho (com texto do blogueiro na apresentação). Entre a faixa-título e outras, o disco traz a pérola Alegoria de saudade, samba-choro com participação especialíssima de Ceumar.

Na quinta-feira (18) é a vez de Gilberto Mineiro entrevistar o compositor, no Companhia da Música, às 20h, na mesma rádio.

Ouça!

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

TENDINITE

Cuidado com ela, Ricarte!



Meu amigo Ricarte Almeida Santos, em foto minha, entre três máquinas, pra dar conta do serviço.

Grande figura humana, daquelas que a amizade, além de deixar os nossos dias mais leves e a gente mais feliz, muito nos honra.

Trabalhando de domingo a domingo, jamais lembro de tê-lo visto estressado, triste (é o que dá, fazer o que se gosta). Ao menos não com coisas miúdas. Com os grandes revezes da vida, normal, e ainda assim, em se tratando de Ricarte, a dor passa ligeiro (ou ao menos ele não a deixa transparecer) e logo, logo ele está tirando onda de si mesmo, dos outros, rindo, contando piadas e conversando sobre música, principalmente o choro, gênero musical de nossa predileção.

Meu amigo, receba aí esse post-abraço e meu sorriso largo.