Foto: Gilson Teixeira

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CHEGA DE SARAU A LUZ NENHUMA

Cheguei no horário para verouvir Celso Borges em seu A posição da poesia é oposição: não me perdoaria um verso perdido. Após perder três apresentações suas (uma na finada Maloca-Lagoa, outras no Cine Praia Grande), por motivo de viagens, era chegada a hora de verouvir seu espetáculo. Finalmente!

CB dava uma última passada no som, repetia o nome do espetáculo, anunciava que em mais dez minutos, cumprimentava-me ao microfone, tendo percebido minha chegada.

É corajoso CB batizar seu espetáculo de poemúsica com os versos de seu poema Manifesto: A posição da poesia é oposição, na Ilha do Maranhão, pode ser mal-interpretado. Maranhão com m de mentira, como diz o sermão de Padre Vieira, um dos textos lidos-ditos-cantados-gritados por CB.

O poeta de Música bem podia ser o amigo de Roberto Carlos: “cabeça de homem, mas o coração de menino”, Celso Borges, cinquentão-garotão, a poesia em forma de homem, o grande nome do Maranhão em plena produção poética, usina humana – Belle epoque é de chorar de lindo, aguardem, em janeiro, no mais tardar, seu novo título.

Acompanhado de Cristian Portela (guitarra) e Luiz Cláudio (percussão), CB é bumba-meu-boi, é rock, é blues, é punk, é poesia. É luz! Celso Borges, meu amigo pessoal, e isso é um parêntese, é o tipo do cara que um telefonema dele te faz ganhar o dia. Boas vibrações, sacam? Fecha parêntese.

Só mesmo um ser de luz para não ter mandado em alto e bom som uma boa dúzia de merecidos “puta-que-o-pariu” às três quedas de energia durante seu espetáculo. Além do atraso natural – no caso, até pequeno para os padrões maranhenses, não mais que quinze minutos – possíveis problemas técnicos, isto é, a equipe técnica previa o futuro, ampliaram esse tempo.

Pouco. Logo CB começaria o espetáculo, em ritmo de bumba-meu-boi, mesclando-se a Zeca Baleiro, seu parceiro, e Gilberto Gil e Torquato Neto. Homenageou ainda Augusto dos Anjos, Mallarmé, e desomenageou, como ele mesmo disse, Ferreira Gullar, sendo interrompido ainda outra vez pela equipe técnica, sem saber explicar ao público o que estava acontecendo. CB pendura o microfone no pedestal em gesto que dispensa tradução.

No meio de um poema, o primeiro apagão. CB (e o público) tenta(m) levar na esportiva. Uns se levantam e se mandam, embora o blecaute não fosse restrito ao palco: toda a III Feira do Livro de São Luís ficou no escuro (não pela primeira, nem pela última vez). A luz volta, o espetáculo recomeça, o poema interrompido, do início, dentro de mais alguns instantes... novo apagão. Um terceiro ainda aconteceria.

Um bom público se fez presente. Uns passantes olhavam, meio assustados. Uns ficavam, outros seguiam. Aproximar a poesia da música, tirá-la da página do papel e colocá-la direto no ouvido do público, certamente aumentou o fã-clube de CB. Aumentar o fã-clube da poesia e da literatura em geral deve ser papel primordial de um evento desse porte e natureza.

Espero, sinceramente, que o papel esteja sendo cumprido, apesar de tudo. Celso Borges, sem dúvida, deu sua significativa contribuição para isso. Apesar dos insistentes e constantes apagões. Espero ver em breve o espetáculo sem as indesejadas interrupções. Certamente conseguirei, num palco fora da III Feira do Livro de São Luís.

*

Texto apressado sobre o espetáculo a que assisti há pouco. O título brinca com verso de Manifesto II, poema de Celso Borges em Música.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

SOBRE O QUE TÁ SALVANDO A FEIRA DO LIVRO

Muita gente me critica por eu ser um escritor de elogios. Bem, procuro ver sempre o lado bom das coisas. Como não há lado bom em música ruim, literatura ruim, cinema ruim, nem na família Sarney, prefiro escrever sobre o que ouço, leio, vejo e gosto. É opção. Embora vez em quando pintem coisas que merecem que desçamos a ripa nas costas e verás que um filho teu não foge à luta: fazemos sem dó nem piedade.

Por exemplo, a III Feira do Livro de São Luís. Não quero imitar seu patrono que, a torto e a direito, solta resmungos aos domingos em um jornalão. Muitas vezes sem razão. Por isso não posso simplesmente dizer que se trata da pior Feira do Livro que São Luís já teve, embora haja problemas. Só dei uma rápida passada lá no domingo (22), e fosse resmungar aqui, certamente seria injusto, embora creia, solução mesmo para São Luís seria ter um prefeito chamado Palafita ou Barracão, já que nem Palácio nem Castelo se mostra(ra)m hábeis.

Domingo a energia oscilou – para ser educado ao dizer que a energia ficou faltando e chegando, faltando e chegando, faltando e chegando –, causando certo pânico – nome de programa televisivo que passa justo no horário em que eu tentava passear na Feira – no público presente. A Praça Maria Aragão abriga stands institucionais e livreiros e livrarias – não há editoras, esse ano – estão confinados ao espaço (quente) do antigo Espaço Cultural. Eles não pagam pelos stands, mas isso infelizmente não está refletido nos preços do que se comercializa: os livros continuam tão caros quanto em qualquer livraria a qualquer época do ano – sei que feira é moda, é point, é chique, e até analfabetos frequentam.

Colabora para os problemas a ausência do Governo do Estado do Maranhão, que pela primeira vez (esta já é a terceira edição da feira!) não injeta recursos neste importante evento para o calendário cultural da ilha: a governadora Roseana Sarney e os secretários de turismo Tadeu Palácio e cultura Luiz Bulcão preferem enfiar tubos de dinheiro em eventos (é vento!, passa...) como o Bumba Ilha, com grupos de bumba-meu-boi apaniguados e descaracterizados sobre trios elétricos, com distribuição gratuita de abadás aos foliões (trocaram o Marafolia, que não houve em 2009, por isso?) e o Praia Grande das Artes, que torrou em torno de 400 mil reais em quatro dias de festividades no central bairro homônimo, além de convênios inconvenientes. Não vi sequer serem distribuídos livretos com a programação da feira. Há?

Respeito a obra poética de Chico César, embora já saiba que o sarau-sururu de encerramento da feira será concorrido e caótico: o público irá em busca de ver o cantor e compositor, jamais o poeta. Leona Cavalli já é demais: me recuso a comentar. O Brasil não tem escritores? Alô, dona Func, tem um monte de gente boa produzindo, que provavelmente toparia visitar a Ilha por cachês menores, garantindo a realização de uma verdadeira Feira do Livro, com a tal diversidade literária na capital brasileira da cultura, slogan-balela.

Mas não sou Ferreira Gullar, não resmungo gratuitamente e reconheço o que é bom: aumentou significativamente a participação de autores maranhenses, inclusive recebendo cachês, os “da terra”, coitados, outrora relegados a “divulgar seu nome e sua arte” eternamente, de graça. É, em resumo, o que está salvando a Feira.

Já passaram por lá Beto Nicácio e suA lenda da carruagem encantada de Ana Jansen e Micaela Vermelho e Gabriel Jauregui e seu Tambor de Crioula, belíssimo livro-espetáculo sobre o que escrevo com mais detalhes por aqui em breve. Tudo bem, Mica e Gabriel não são maranhenses, mas são meus amigos e eis outro defeito que trago em mim: falo bem dos amigos, mas não só por serem meus amigos (bom, quando vocês pegarem o Tambor de Crioula em mãos, vão entender do que tou falando). E daqui por diante é só o que vou recomendar, meus amigos na Feira, aproveitem:

Quinta-feira, 26, 19h (Casa do Escritor, Praça Maria Aragão), o escritor Bruno Azevêdo finalmente lança em São Luís seu Breganejo Blues – Novela Trezoitão, que já percorreu BH, São Paulo, Rio e Brasília.



Sexta-feira, 27, 9h (Casa do Escritor, Praça Maria Aragão), o poeta Joãozinho Ribeiro, coordenador executivo da II Conferência Nacional de Cultura, concede entrevista coletiva sobre o assunto.

Sexta-feira, 27, 18h30min, o poeta Celso Borges (poesia, voz) apresenta seu espetáculo de poemúsica A posição da poesia é oposição, com Christian Portela (guitarra), Luiz Cláudio (percussão) e Lúcia Santos (participação especial).



Sábado, 28, 16h (Casa do Escritor, Praça Maria Aragão), Iramir Araújo relança suA balaiada.



Clique nas imagens para ampliá-las e obter mais detalhes sobre os programas.

NOIVOVÔ



Meu amigo Salim ganhou novo apelido: Noivovô. Dado, é claro, por este implacável blogueiro: o cabra ganhou uma linda netinha e noivou (momento coluna social do blogue) recentemente com a também queridamiga Andréia Everton, que aparece aí em cima com ele na foto, clicados por ocasião de alguma farra recente aqui em casa.

Para quem sente saudades desse clássico fazendo ferver a pista de dança, eis aí uma boa pedida, embora seu nome, inexplicavelmente, não apareça na divulgação (vai ver a produção teme a superlotação). Confiem no blogue: DJ Salim vai discotecar! Imperdível!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

BOA PEDIDA

Sábado, no Trapiche:

A CARRUAGEM PASSEIA NA FEIRA DO LIVRO

Amanhã, na Feira do Livro:



Clica que amplia.

JÁ ANDEI FALANDO...

... do Sessões para o nada aqui. Já fui ver ao vivo também o lance. E acho que já é hora de você ir ver também: sexta (27) tem outra!

domingo, 22 de novembro de 2009

EM DOIS TAPAS

Há um bom tempo não lia algo assim: comprei Minha fama de mau no aeroporto de Recife e entre a capital pernambucana e São Luís, uma escala em Fortaleza, dois sanduíches e duas latas de cerveja depois, já havia devorado mais de 200 páginas do livro, isto é, mais da metade dele. Chegando em casa continuei a leitura, a tempo de escrever sobre, para a Tribuna Cultural (Tribuna do Nordeste) de hoje.

ERASMO CARLOS, AGORA COM FAMA DE ESCRITOR

Quase-autobiografia de ídolo da Jovem Guarda descortina intimidades.


[Minha fama de mau. Capa. Reprodução]

Há personagens tão geniais, que por si só rendem ótimas biografias (embora quem as assine também seja responsável pela qualidade atingida): são os casos de, entre outros, Paulo Leminski (biografado por Toninho Vaz em O bandido que sabia latim), Sérgio Sampaio (por Rodrigo Moreira em Eu quero é botar meu bloco na rua), Tim Maia (por Nelson Motta em Vale tudo – o som e a fúria de Tim Maia) e Tarso de Castro (por Tom Cardoso em 75 kg de músculos e fúria – Tarso de Castro: a vida de um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros).

É o caso também de Erasmo Carlos, injustamente sempre tido como um compositor (e cantor) menor dentro da música brasileira. Talvez o fato de ser o parceiro mais constante de Roberto Carlos – o rei – possa explicar, em parte, a injustiça. Talvez o fato de ainda estar vivíssimo e em plena produção explique também o fato de ainda não ter sido biografado.

Minha fama de mau [Objetiva, 2008, 353 p., R$ 47,90] não chega a ser sua autobiografia. No livro, Erasmo Carlos, em sua prosa envolvente, ligeira e certeira, relata diversos causos engraçados e o volume acaba se transformando em uma espécie de conversa risonha e franca com seu autor, que nos arranca vários sorrisos: não há pudores em sua escrita simples e direta, capaz de emocionar tanto a quem viveu a época da Jovem Guarda, quanto quem não, entre fãs ou não do homem.

Mas trata-se de uma série de histórias que podem ser lidas, inclusive, fora da ordem em que aparecem distribuídas por suas páginas. É relato alegre que nem justifica o título: são as boas lembranças mais do senhor Erasmo Carlos alegre que aparece na contracapa que do jovem e “sisudo” Erasmo Carlos da capa. Também são personagens fundamentais desses relatos Roberto Carlos e Tim Maia – que ensinou os primeiros acordes de violão a Erasmo –, ambos integrantes da “turma da Tijuca”, grupo de jovens que acabaram virando as suas primeiras bandas, além de Carlos Imperial e Narinha – sua musa-mulher. Sexo, rock’n roll e os bastidores da Jovem Guarda dão o tom do livro que, se não chega a ser uma autobiografia, vale muito a pena pela visão bem humorada de quem é peça importante da história da música brasileira.

MINHA FAMA DE MAU – LEIA TRECHO

Madre Wandeca de Calcutá

Perguntam-me sempre se não rolou nada entre mim e Wanderléa, no período da Jovem Guarda. Digo que não, embora da minha parte deva admitir que a intenção existia. Mas o forte policiamento do seu Salim – um verdadeiro pai-zagueiro, marcando em cima do lance qualquer tentativa de gol – não deixava espaços para atacantes matadores como eu.

Eu e Wanderléa chegamos a dividir um programa na TV Record, em 1966. Era o Ternurinha & Tremendão, com textos de Chico Anysio, Arnaud Rodrigues e Mario Wilson e direção de Carlos Manga – que costumava elogiar minhas interpretações, me chamando de “Orson Welles brasileiro”, o que me deixava vaidosíssimo. No programa, fazíamos esquetes que eram adaptados de filmes de sucesso.

Wanderléa sempre foi muito criativa. Ela mesmo bolava sua coreografia, inventando passos e danças que, depois de serem mostradas na TV, eram imitadas por toda a juventude brasileira. Suas minissaias ousadas representavam o que havia de mais moderno na época. Ela e seu irmão Bil desenhavam e ele mesmo confeccionava as roupas extravagantes que Wanderléa usava em suas apresentações, misturando couro, franjas, tachas e camurça com botas acima do joelho, colares, cintões, pulseiras, chapéus etc.

Como todos nós da Jovem Guarda, Wanderléa sofreu com as críticas vindas de setores politizados, que a tachavam de “alienada” e “americanizada”. Mas ela contribuiu sim, do seu jeito, na luta pela liberdade, que era a principal preocupação do país naqueles tempos de ditadura. Numa época em que as mulheres viviam cerceadas por seus pais e maridos, ela colocou no coração de cada menina a semente do direito de se vestir, de dançar, de cantar e de ser feliz.

Um rubor adorável coloria seu rosto todas as vezes em que ouvia um palavrão nos bastidores machistas da TV Record dos anos 60. Mas seu semblante pegaria fogo mesmo se soubesse a verdadeira razão dos olhares maliciosos que a acompanhavam ao vê-la sair do camarim feminino. Afinal, no masculino ao lado, músicos e cantores disputavam, com socos e empurrões, um buraquinho na parede pelo qual era possível desfrutar da nudez das artistas da emissora, inclusive a dela. Bons tempos aqueles em que o nu ainda carregava um mistério.

(Erasmo Carlos, Minha fama de mau, páginas 181-182)

sábado, 21 de novembro de 2009

HOJE, NA FEIRA DO LIVRO DE SÃO LUÍS

Lançamento do livro de minha queridamiga Micaela e Gabriel, sobre o Tambor de Crioula. Mais no convite abaixo, clica que amplia:

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O ENBLOMA NÃO EMBROMA



Clica que amplia. Maiores informações: (99) 8126-8603 ou 9125-3716 (falar com Jonatas Carlos, jonatascarlos.jc@hotmail.com)

PARA PEGAR

Luís Capucho oferece pequena mostra do que teremos em Cinema Íris, seu segundo disco: Para pegar.



Vejam o vídeo no Cronópios, onde há mais sobre Luís Capucho.

SESSÕES

Sessões para o nada: projeto bem bacana a que tive oportunidade de assistir há duas sextas-feiras. Quinzenalmente três bandas no Anfiteatro Beto Bittencourt, do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho. É punk: o melhor do faça você mesmo! É rock: atitude! E é now e é free!

A turma tem mostrado que podem haver boas bandas para além de covers: todo o repertório das Sessões é autoral. Confiram!:

domingo, 15 de novembro de 2009

ILESSI ESTREIA EM GRANDE ESTILO

Intérprete competente, Ilessi reúne grandes nomes da música brasileira para registrar a parceria de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro em Brigador.


[Brigador. Ilessi canta Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro. Capa. Reprodução]

Parece fácil: cantora reúne composições da parceria Pedro Amorim/ Paulo César Pinheiro, acerca-se de grandes nomes da música brasileira – instrumentistas, que os compositores também o são – e estreia em disco. Seria fácil, fosse uma fórmula. Não é o caso. Em Brigador [CPC-UMES, 2009], Ilessi diz a que veio: intérprete competente, afinada e de extremo bom gosto.

Negra e brasileira, Ilessi canta em A sina do negro: “Mas o negro jogou a dor no vento/ e na força do espírito guerreiro/ fez um canto nascer do seu lamento/ e esse canto hoje embala o mundo inteiro/ (...)/ É por isso que quem sente um desespero/ tem que cantar/ pois não vai ser o último ou o primeiro/ o negro sempre cantou pra não chorar”. Pedro Amorim empresta seu bandolim à faixa.

Acompanhando-a, ao longo das dez faixas do disco, virtuoses como Rogério Caetano (violão sete cordas), Caio Márcio (violão), Jayme Vignoli (cavaquinho), Guto Wirtti (contrabaixo), Thiago da Serrinha (percussão), Marcelo Bernardes (sax tenor, flauta), Luiz Flávio Alcofra (violão), Luciana Rabello (cavaquinho), Cristóvão Bastos (piano, acordeom) e João Lyra (violão, viola), entre outros.

Maurício Carrilho aparece tocando violão em Julgamento, faixa em que é parceiro da dupla: “E se é um crime a gente amar/ levado por forte emoção/ depois de me entregar/ fiz questão de confessar/ que um réu confesso tem o benefício do perdão”. A faixa ganha também a participação da bela e rara voz de Pedro Amorim.

Paulo César Pinheiro atesta em texto no encarte: “Está tudo muito bonito e bem-feito. Sou suspeito pra falar, claro, porque sou parceiro em tudo, mas é o disco que mais ouço ultimamente. E não me canso dele”. Insuspeitos, atestamos: Brigador está entre os melhores discos lançados em 2009.

[Tribuna Cultural, Tribuna do Nordeste, hoje, feriadomingão, aniversário da mana Luziana. Parabéns!]

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

LEVANTE SUA VOZ

Via gtalk, Rojão me passa um link. Entre os aperreios do expediente, com sua recomendação, não resisto em dar uma olhada. 17 minutos de vídeo a que só parei de assistir ao fim.

Influência confessa de Jorge Furtado, notadamente seu Ilha das flores, Pedro Ekman realiza um filme panorâmico sobre as comunicações no Brasil. Bastante oportuno: nos aproximamos da I Conferência Nacional de Comunicação, com um processo atrapalhadíssimo, principalmente no Maranhão. Por que será?

Veja o vídeo, tire suas próprias conclusões e Levante sua voz:

Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

AS IMAGENS SONORAS DO CRIOLINA

Duo maranhense lançou recentemente Cine Tropical, seu segundo disco, cinematográfico.


[Cine Tropical. Capa. Reprodução]

Cine Tropical [2009, Funarte/Projeto Pixinguinha], o novo disco do Criolina, é um sarro. O bom humor permeia sua música-cinema e a vontade que dá é deixá-lo em modo repeat, como a entoar o mantra-pedido da faixa-título: “quem dera/ que fosse sempre primavera/ quem dera/ que fosse sempre réveillon”. Clima de casal em ilha paradisíaca – vide projeto gráfico –, sem obrigações cotidianas e a malfadada rotina. Cinema puro, não? Romance, romance psicotrópico, ação, bang bang, chanchada, aventura, ficção científica e outros, os gêneros estão lá, música e projeto gráfico, como a confessar/apontar as influências.

Alê Muniz e Luciana Simões são um liquidificador delas, aliás: o duo está entre o que há de mais inventivo na música contemporânea produzida no Brasil, o que já demonstrava desde o homônimo disco anterior. Neste segundo, alguns elementos saltam aos ouvidos: a grande carga de latinidade em perfeita sintonia com a cultura popular do Maranhão, o cinema como influência – ouvir Cine Tropical nos dá a agradável sensação de já termos ouvido essas faixas em algumas trilhas sonoras da vida: e o Criolina consegue ser originalíssimo –, e todas as informações musicais, contemporâneas ou não, que o impregnam, mas sem perder a unidade, jamais.

Ah, a unidade. Não deve ter sido fácil para Alê e Lu escolherem as 14 faixas que entraram no disco – 13 músicas e uma vinheta de vozes baseada no sotaque tipicamente maranhense em que He hein (título da faixa) pode significar qualquer coisa, a depender de sua entonação – depois de terem gravado, num estúdio em casa 25 faixas. A isso eles creditam, também, o resultado final do disco: poder gravar sem pressa, sem pressão, refazendo cada detalhe que desejassem, quando o desejassem. Deu certo.

Além da musicalidade à flor da pele, o Criolina é também poeticamente afiado, o que lhe faz completo. Entre os exemplos poderíamos citar o disco inteiro, mas destaquemos São Luís-Havana (parceria do duo com o poeta Celso Borges, que participa da faixa): na hip-salsa-hop, as culturas de Maranhão e Cuba se mesclam em sons, paisagens e mestres: vários, tanto de lá quanto cá são reverenciados. E como poesia não precisa ser sisuda, como já nos ensinaria, a golpes de judô, Leminski, Alê e Lu nos fazem rir: “mas é que um cara com a minha cara/ parado muito tempo no mesmo lugar/ pode levantar suspeita e a polícia levar” (em Namoradinho refém, clima jovem-guardista, cuja temática pode remeter a um Metrô Linha 743 raulseixista – mas é outra coisa). Ou: “nós vive no limite/ nós vive é no vermelho/ entre o paraíso e o caos/ nós adora Amy Winehouse” (em Nó ni pingo d’água, funk-afoxé).

[Tribuna Cultural, Tribuna do Nordeste, domingo 8/11/2009]

terça-feira, 10 de novembro de 2009

AS VIAS E O FATO: REPERCUSSÃO

Tenho "twittado", aos poucos, a repercussão do quebra-quebra ocorrido quando do lançamento de Honoráveis bandidos em São Luís. Mais lento do que eu gostaria, por conta de atribuições outras.

Hoje, no blogue do Tribunal Popular do Judiciário, postei o posicionamento do jornal Vias de Fato, editado por Cesar Teixeira e Emílio Azevedo.

Leia Sobre as vias e a liberdade, o texto completo, aqui.

O HOMENAGEADO


[Foto: Aniceto Neto]

Poeta, compositor e jornalista, Carlos Cesar Teixeira Sousa (foto) nasceu no Beco das Minas em 15 de abril de 1953. Iniciou-se cedo nas artes, tendo vencido diversos salões de artes plásticas ainda na década de 60. Participou de grupos de teatro (escrevendo peças e trilhas sonoras) e foi um dos fundadores do Laborarte (1972).

Em 1978, teve composições gravadas por Papete, no disco Bandeira de Aço, produzido por Marcus Pereira: além da faixa-título, foram registradas as músicas Boi da Lua e Flor do Mal.

Em 1985 venceu o I Festival Viva de Música Popular Maranhense, com Oração Latina, na ocasião interpretada por Cláudio Pinheiro e Gabriel Melônio. A música acabaria se tornando um hino de trabalhadores e movimentos sociais. Interpretada pelo primeiro, Tocaia venceu o Festival de Marabá/PA, em 1994.

É um dos compositores maranhenses mais gravados. Além dos já citados, sua obra tem registro na voz de nomes como Rita Ribeiro, Alcione, Dércio Marques, Flávia Bittencourt, Chico Saldanha, Célia Maria, Lena Machado, Chico Maranhão, Fátima Passarinho, Zeca do Cavaco, Serrinha e Cia., Regional 310 e grupo Fuzarca, entre outros.

Formado pela UFMA, como jornalista foi editor de cultura de O Imparcial (1986-88), assessor de imprensa da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (1989-2002), de onde é sócio-militante até os dias atuais e co-editor do Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante (2002-04). Atualmente é co-editor do jornal mensal Vias de Fato, cujo segundo número foi recentemente lançado.

OS AUTORES E O SAMBA


[Foto: Quintal Social]

Zema Ribeiro (foto), 27, é jornalista, assessor de imprensa do Clube do Choro do Maranhão. Atualmente é colunista de cultura do jornal Tribuna do Nordeste, mas já colaborou com praticamente todos os impressos ludovicenses. Blogueiro, escreve em http://www.zemaribeiro.blogspot.com e pode ser seguido no http://www.twitter.com/zemaribeiro. Atualmente prepara monografia de conclusão de curso, onde abordará a atuação jornalística de Cesar Teixeira, que será homenageado pela Favela do Samba no Carnaval 2010. O autor da letra de Hino Latino (A Cesar o que é de Cesar) (Oração Favelense) declarou: “Minha preocupação primeira, ao fazer um samba em homenagem a Cesar não era somente ganhar o concurso. Aliás, independentemente do samba vencedor, desfilaremos em homenagem à grande figura que é Cesar Teixeira. Minha primeira preocupação foi agradá-lo: é meu amigo pessoal, com quem convivo há muito tempo e sei o quanto é uma figura extremamente criteriosa. Busquei preparar uma homenagem à altura do que ele merece”.


[Foto: Paulo Caruá]

Gildomar Marinho (foto), 42, é licenciado em Música pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e bancário (Banco do Nordeste). Atualmente reside em Fortaleza/CE. Recentemente lançou Olho de Boi, seu disco de estreia, onde registrou pequena parte de sua produção em mais de 20 anos de andanças entre o Ceará e o Maranhão – sobre o que versa a faixa-título. Entre as composições registradas, o samba-choro Alegoria de Saudade, com participação especial da cantora mineira Ceumar, e o reggae Lembra?, parceria com Zema Ribeiro.

Hino Latino (A Cesar o que é de Cesar) (Oração Favelense) busca homenagear Cesar Teixeira desde seus três títulos. O primeiro e o terceiro são citações explícitas à Oração Latina, um dos maiores clássicos de seu repertório. A letra cita outras obras – Dolores (gravada por Flávia Bittencourt em seu disco de estreia), Boi da Lua, Bandeira de Aço, Flor do Mal (por Papete em Bandeira de Aço), Flanelinha de Avião (por Lena Machado em Canção de Vida), Faustina Mona Lisa da Praia Grande (samba inédito), Shopping Brazil (faixa-título do único disco de Cesar lançado até aqui, 2004), além de Oração Latina, no refrão.

A letra busca construir uma cronologia do autor, de seu nascimento no Beco das Minas até Shopping Brazil, disco de estreia, citando diversos aspectos da vida e obra do homenageado: o jornalismo, as artes, sobretudo a música, a defesa intransigente dos Direitos Humanos, sua postura e posicionamento políticos e suas andanças como homem do povo, em quitandas, junto dos excluídos e marginalizados. “Ser famoso, para mim, é ser reconhecido pelas prostitutas e pelos bêbados, na zona, nas feiras”, declarou Cesar, certa vez, ao letrista, entre as informações que serão usadas em seu trabalho de conclusão de curso.

*

Domingo passado, durante a primeira eliminatória para a escolha do samba-enredo da Favela do Samba para o Carnaval 2010 dei essa contextualizada: distribuí um a4 com a letra do samba na frente e as informações acima no verso.

Dos sete sambas, cinco seriam classificados à próxima eliminatória. Deixaram a disputa os sambas de Herberth de Jesus Santos e deste que vos tecla.

domingo, 8 de novembro de 2009

AGENDA DE DOMINGO

O blogueiro, hoje.

Logo mais às 9h, em caráter excepcional, apresento o Chorinhos e Chorões, a pedido de seu titular, Ricarte Almeida Santos, que tem outro compromisso para o horário e não pode gravar o programa por conta de viagens a trabalho. Sintonize: Universidade FM, 106,9MHz (dá para ouvir também pela internet, clicaê no link).

Antecipo que vai rolar promoção (sortearemos um disco), que vou entrevistar Chico Nô e a turma do Regional Feitiço da Ilha, e que vou tocar coisas do próprio Chico Nô (ao vivo no estúdio e gravadas), de Noel Rosa, de Gildomar Marinho e de Cesar Teixeira.

E logo mais às 19h, primeira eliminatória para a escolha do samba-enredo da Favela do Samba para o Carnaval 2010, este humilde que vos tecla entre os concorrentes, além de Chico Canhoto, entre outros.

Na ordem de apresentação, definida em sorteio, nosso samba, Hino Latino (A Cesar o que é de Cesar) (Oração Favelense) -- sim, três nomes para a mesma música --, em parceria com Gildomar Marinho, será o primeiro a ser interpretado. Por Léo Capiba. Agradeço, de já, a quem puder aparecer e cantar e torcer. Hasta!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

UMA PÉROLA "JORNALÍSTICA"

O título aí é irônico, pois é antijornalismo o que pratica Décio Sá, um dos blogueiros do imirante.com, em post intitulado Confusão em lançamento de livro contra Sarney.

Sem grana para comprar o livro dos jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano (jornalistas da Caros Amigos, notem que os imirânticos nem citam o título e/ou os autores do livro, talvez por terem a obrigação de trazer Sarney nos títulos de seus trabalhos sujos), acabei não indo ao Sindicato dos Bancários, onde aconteceria, ontem (4), às 19h, o lançamento de Honoráveis bandidos.

Penso que quem não estava lá deveria abster-se de escrever sobre o que não viu, por questões éticas, morais, de honestidade, e todas essas coisas em que essa gente já não acredita mais. Eu mesmo não escreveria. E não o faço aqui: este post é apenas para comentar alguns pontos do post do calvo blogueiro. Décio Sá está em Fortaleza/CE, "participando de um evento sobre logística de portos", como ele mesmo afirma em seu "texto".

Beira o abissal absurdo sua afirmação: "não deixa de ser uma provocação o lançamento do livro em São Luís". Como é que é? Não provocaram os estudantes que adentraram o recinto dizendo ser aquilo uma "palhaçada"? E a democracia? E o direito à liberdade de expressão? (Que inclusive permite a Décio e outros funcionários de Sarney escreverem o que bem entendem).

A presidente da Umes ligou para ele "gemendo de dor". Ora, até eu poderia ligar para quem quer que seja gemendo de dor sem ter apanhado. Não estou dizendo que ela mentiu, mas o jornalista sabe da irresponsabilidade que comete, do risco que corre, tendo em vista a impossibilidade de checar a informação.

Um exercício de imaginação, sem querer repetir a baboseira do blogueiro: a estudantada sarneysta se infiltra, chama os organizadores e participantes do evento de palhaços propositalmente, a fim de que os ânimos se esquentem, a coisa acaba no braço e os anti-Sarney tornam-se marginais, bandidos (não tão honoráveis quanto), destruidores do patrimônio, da paz e da ordem.

Que tal outro exercício?: um evento marca o lançamento de um livro que elogia o presidente do Senado. Manifestantes anti-Sarney invadem o recinto gritando palavras de ordem e chamando a todos os presentes de palhaços (inclusive os de bigode): qual seria a reação dos presentes, apaniguados, blogueiros sistêmicos e da própria polícia?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

MAIS PAULO LEMINSKI POR AÍ...



Sobre, mais no blogue de Ademir Assunção.

Para realizar a Ocupação, sobre o que você já leu por aqui também, Ademir realizou vasta pesquisa. Aí eu fico costurando onde ninguém pediu que eu metesse a agulha: bem que a Azougue podia lançar um volume de Encontros dedicado ao poeta samurai, organizado pelo poeta da Zona Branca, d'A Musa Chapada.

Estou lendo (e anotando coisas para escrever sobre) o volume da coleção dedicado ao genial (vocês sabem que não é exagero) Hélio Oiticica.

PEDRA( NO NA)DA

No segundo Sessões para o nada



tem Pedra Polida:

LANÇAMENTOS

A resolução é baixa, mas não carece forçar a vista, eu transcrevo e acrescento aqui ("o povo aumenta mas não inventa", não é o que diz o dito popular?):

LANÇAMENTO DO LIVRO

HONORÁVEIS BANDIDOS
Um retrato do Brasil na era Sarney


dos jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano (da Caros Amigos)

Dia 4 de novembro (hoje), 19h, no Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, 413/417, Centro).



Vai rolar também o lançamento do segundo número do jornal Vias de Fato.

Não percam!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ACESSE: WADO

O serviço do cartaz abaixo é dum show que ele faz no Tapas Club (SP), na sequência, às 22h. Quem, como eu, não tá em Sampa, não deve perder sua apresentação hoje (3) no Acesso MTV, às 18h30min.

TURNÊ DO BREGA

Mais Breganejo por aí: alô amigos de Brasília, Rio e Sampa!

Mais infos no cartaz, clica que amplia.

domingo, 1 de novembro de 2009

TERMINA O ANO DA FRANÇA NO MARANHÃO

Talvez choque a alguns o título acima. "Encerramento? Como? Se eu nem ouvi falar na abertura... ou no Ano da França no Maranhão em si...", alguns se perguntarão, dirão, estranharão, de si para si.

A programação do Ano da França no Brasil para o Maranhão diminuiu drasticamente, do previsto, quando da re-"ascenção" de Roseana Sarney ao poder. Para ficarmos em apenas um exemplo: cadê o Festival Internacional de Música?

O governo Jackson Lago chegou a visitar o país em missão de Estado. Notem que o "de volta ao trabalho" do atual desgoverno sequer aparece no e-flyer que colo abaixo.

Pois é, quem não viu... eis aí a última chance, a última programação do Ano da França no Brasil no Maranhão:

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

SEMANA DE LETRAS... E MÚSICAS!

Logo mais a gente se topa por lá:



Não, não é a tal Praia Grande das Artes, a ação global da cultura. Em vez de efetivas políticas públicas de cultura, alguns dias específicos para se ter cultura. É o que promove o desgoverno de Roseana Sarney. É isso o que merece o povo maranhense? É só isso?

A Pedra Polida, que será a última a tocar, e todas essas bandas, integram a programação da Semana de Letras da UFMA.

É de graça! E o cartaz diz, mas pra quem não sabe onde é: é no palco d'A vida é uma festa!

Presenças ilustres na plateia: Djalma Lúcio, Bruno Azevêdo (ex-Catarina Mina) e André Lucap (que prometeu uma canja). Os dois primeiros estão ensaiando com a Pedra para um show no próximo dia 6 (sexta-feira), dentro do Sessões para o nada. Quem sabe não antecipam uma canja hoje também?

Com o segundo, você pode comprar e pegar o autógrafo em Breganejo Blues, a nova novela do Putaquepariu!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

ASSINE JÁ VOCÊ TAMBÉM!



Maiores informações no site do jornal.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

TRIBUNA CULTURAL

por Zema Ribeiro*

SAMBA EM CLIMA JAZZY É PURA FESTA

Minha embaixada chegou, de Nenê Cintra, traz leituras de sambas tendendo ao jazz.


[Minha embaixada chegou. Capa. Reprodução]

Velha e nova guardas. Tradição e modernidade – em certo aspecto. Com mais de 25 anos de carreira, Nenê Cintra faz uma mescla em Minha embaixada chegou [Pôr do Som, 2008]. Entre clássicos de nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Assis Valente (autor da faixa título, em medley com outro clássico seu, Brasil pandeiro), Dorival Caymmi e Paulinho da Viola, entre outros, espaço para nomes novos – mas nem tanto, para ouvidos e olhos mais atentos –, como Chico Saraiva, Marcelo Mainieri e a própria Nenê Cintra – autora de Samba da Yara, única faixa que assina no disco.

A cantora, acompanhada de Marcelo “Bola” Mainieri (contrabaixo e arranjos), Mário Carvalho (piano) e Alê Damasceno (bateria), dá ao repertório, composto em sua grande maioria de sambas, um tom jazzy a temas como Timoneiro (Paulinho da Viola/ Hermínio Bello de Carvalho), Dora (Dorival Caymmi), Lapinha (Baden Powell/ Paulo César Pinheiro), Feitiço da Vila (Noel Rosa/ Vadico), Pop wu wei (Gilberto Gil) e os citados temas de Assis Valente, entre outras.

“Essa coisa de riso e de festa, só tem aqui/ baticum, ziriguidum, dois mil e um, só tem aqui”, anuncia O dia em que faremos contato (Lenine/ Bráulio Tavares), outra faixa do disco, a que abre Minha embaixada chegou. Nenê Cintra anuncia o jazz que pauta seu samba, sua festa, sua embaixada.

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[Tribuna do Nordeste, ontem]

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

SESSÕES PARA O NADA

Dando super em cima da hora: projeto estreia hoje, daqui a pouco, grátis: corre que dá tempo!



Maiores detalhes aqui.

TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO

Agora todo dia é dia de poesia. E sorte a nossa: Celso Borges ministrará oficina de poesia na 4ª. Mostra Guajajara de Artes do SESC. Bendita poesia bem dita, é o bonito nome da oficina.

Uns perguntarão: o que tem de Guajajara nisso? Sei não, mas de arte tem bastante.

Bom, não somos todos irmãos? Então, somos todos índios.

Todo dia é dia de poesia.

Todo dia é dia de índio.

Serviço completo aqui.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

SAMBA!

Abaixo, letra do samba-enredo proposto à Favela do Samba para o Carnaval 2010, quando a escola do Sacavém homenageará Cesar Teixeira, sobre quem versa meu, modéstia à parte, já lendário TCC.

Em itálico, na letra, citações a obras do artista homenageado.

Ficha técnica da gravação, que pode ser ouvida no
myspace deste que vos tecla: Arlindo Carvalho (percussão), João Eudes (violão sete cordas), Léo Capiba (percussão e voz) e Wendell Cosme (cavaquinho).

HINO LATINO (A CESAR O QUE É DE CESAR) (ORAÇÃO FAVELENSE)
Letra: Zema Ribeiro/ Música: Gildomar Marinho

A Favela dá a Cesar
o que é de Cesar na avenida
Feito Cesar canta o povo,
feito Cesar canta a vida

A Favela não fez samba
este ano fez um hino
à bandeira do poeta
Cesar Teixeira
gigante desde menino

Nasceu no Beco das Minas
Ouvindo o som dos tambores
fez de sua arte um instrumento
pra ecoar amores, dores e Dolores

Voz contrária à injustiça
a vida toda, um ideal
Boi da Lua, Flanelinha de avião,
Bandeira de aço, Flor do bem e Flor do mal

Contra a censura, a ditadura, a oligarquia
o poeta jamais se calou
Fez do jornalismo a sua missão
E sua voz no mundo inteiro ecoou

Um artista de quitanda
faz um samba no balcão
Cesar é vida, Cesar é arte,
Cesar é pura emoção

Punhal e rosa na mão
Cesar fez sua Oração
dizendo ao povo latino:
nenhuma luta é em vão


Fez de Faustina Mona Lisa
da Praia Grande
ao Desterro
do Desterro à Praia Grande
não há um beco ou boteco
onde o poeta não ande

Com os amigos sempre à mesa
nessa comemoração
A Favela faz um Carnaval
A Favela faz São João

Punhal e rosa na mão
Cesar fez sua Oração
dizendo ao povo latino:
nenhuma luta é em vão


Banquete das prostitutas,
de mendigos e marginais
nesse imenso Shopping Brazil
na homenagem da Favela
a um coração civil.

Lá na Vila tem Noel
Nossa Favela tem Teixeira
Todo samba bom é imortal
E na Favela vou cantar a vida inteira
(E na Favela vou cantar Cesar Teixeira)

Punhal e rosa na mão
Cesar fez sua Oração
dizendo ao povo latino:
nenhuma luta é em vão

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

EU SOU UMA MULHER

domingo, 18 de outubro de 2009

DOMINGO É DIA DE SERESTA

TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*

A SERESTA ENQUANTO GRANDE MÚSICA

Em Serestando, João Macacão devolve à seresta o status de grande música.


[Serestando. Capa. Reprodução]

Um dos grandes clássicos de Nelson Gonçalves, A volta do boêmio (Adelino Moreira) é título certeiro para a abertura de um disco. Ainda mais em se tratando de um disco de João Macacão, Serestando [2009, Pôr do Som].

Mas de onde volta o intérprete?, alguns poderão perguntar. Se muita gente nunca ouviu falar de João Nicolau de Almeida, nome de batismo do sete cordas que não toca no disco – apesar da pose da capa – é reflexo da pouca importância geralmente dada ao “regional” que acompanha fulano de tal. Ele agora deixa a “cozinha” e assume a frente.

João Macacão acompanhou por mais de vinte anos o seresteiro Silvio Caldas e já tocou com nomes como Orlando Silva, Altamiro Carrilho e Paulo Vanzolini, entre outros. Para não corrermos o mesmo risco, saquem quem o cerca em Serestando: Milton Mori (violão, bandolim, cavaquinho, violão tenor), Zé Barbeiro (violão sete cordas), Anelis Assumpção (coro), Simone Julian (flauta) e Tiquinho (trombone), apenas para citar alguns.

O disco devolve à seresta o status de grande música, mais próxima ao samba e ao choro e mais distante do brega de teclados que, ao menos aqui no Maranhão, também recebe essa denominação. A seleção de repertório é primorosa: entre outros clássicos da música brasileira estão lá Me deixe em paz (Ayrton Amorim/ Monsueto Menezes), Gosto que me enrosco (Sinhô), Ela me beijou (Herivelton Martins/ Arthur Costa), outro clássico de Nelson Gonçalves, Meu caro amigo (Chico Buarque) e Conceição (Jair Amorim/ Dunga), o maior clássico de Cauby Peixoto.

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[Tribuna do Nordeste, hoje]

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A PEDRA, A PEDRA, A PEDRA

A Pedra é de responsa!:

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PROS QUE ESTÃO EM SP

Marcelo Montenegro é um cara por quem guardo um carinho especial. Grande poeta, anseio por seu Hemingway Hotel, inédito. Orfanato Portátil é de cabeceira, tanto o livro quanto o blogue (já ouviram falar em blogue de cabeceira? O do Marcelo é um dos meus). Foi um dos corroteiristas de Descolados, cuja primeira temporada terminou recentemente na MTV (que venha a segunda e que encaixotem logo a primeira em dvds). Nunca nos topamos pessoalmente (em sua vinda à Imperatriz, ano passado, tive que voltar mais cedo à Ilha capital), mas trocamos e-mails com certa frequência: o cabra é um homem-poesia. Dos poucos que conheço.

Abaixo, dica pra quem tá em Sampa, seu Tranqueiras Líricas, espetáculo bonito desde o nome, desde o cartaz, certamente mais ainda ao vivo:

terça-feira, 13 de outubro de 2009

DOMINGO É DIA DE BREGA!

Abaixo, Tribuna Cultural (Tribuna do Nordeste) de domingo passado (11). No mesmo dia, nO Estado do Maranhão, Reuben, que prefacia o Breganejo, escreveu um belíssimo texto (começa "plagiando" Clara Crocodilo; acesso ao link exclusivo para assinantes do jornal) sobre a participação maranhense no FIQ, citado abaixo.

TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*

CLÁSSICO BREGA BANG BANG

Bruno Azevêdo dá um tapa na mesmice e sacode o cenário literário maranhense.


[Breganejo Blues - Novela Trezoitão. Capa. Reprodução]

Breganejo Blues – Novela Trezoitão [Editora Pitomba, 2009, R$ 15,00 no http://www.bazevedo.blogspot.com], de Bruno Azevêdo, foi lançado no 6º. FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), recentemente realizado em Belo Horizonte/MG. Lançamento em São Luís, terra do autor, deve acontecer em novembro. Merece comemoração: uma salva de foguetes ou “saraivadas de balas pro ar”, como cantou Jorge Ben em Charles, Anjo 45. Umas cervejas no Kabão – um dos cenários da história – também caem bem.

O autor pensa e age rápido e com acidez, como um Tex Willer, já pondo a mão no revolver, o personagem de Bonelli e Galleppini, incidental aqui e acolá no Breganejo, vício do motorista de táxi-detetive que só “faz corno”.

Adailton e Adhaylton, uma dupla breganeja, resolve forjar a morte de um deles para o sucesso. “Suspense! Tiros! Fêmeas fatais!” dão o tom desta comédia literária faroeste urbano, regada à música da dupla protagonista e similares do gênero, que fazem a alegria de quem frequenta a Chopperia Marcelo – outro cenário.

O livro deve agradar a bregas e... bem, no fundo, todo mundo é brega, ao menos um pouco: o amor é brega, a literatura... Bruno Azevêdo, graduado em História pela UFMA e especialista no gênero, se utiliza de coisas tidas por vezes como “anti”-literárias e nos brinda com este pequeno clássico, muito bem vindo em tempos de tanto bom-mocismo em que impera a preocupação única de parecer politicamente correto.

MAIS – Um preview da obra está disponível no blogue do autor: http://www.bazevedo.blogspot.com/; a obra está disponível para download a partir de hoje (11) no site da Mojo Books, editora virtual cuja proposta gira em torno da pergunta: “se música fosse literatura, que história contaria?”

MAIS MAIS – TRECHO

Não faço a mínima idéia de onde começar. Fui até no Bar da Prensa, mas ninguém conhece esse cara. Fui na House, na Metalúrgica, Obs, João Lisboa, Roxy. Até no castelo de Crêiscow e naquela sauna do São Cristóvão...

Le trou.

Como?

Le trou, é “o buraco” em francês. Tem um cara lá que é meu peixe.

Porra, sauna de bicha com nome de buraco em francês, podia ser logo Lê cu.

Cu é pescoço.

Qualé, Miranda. Tá falando francês agora. Virou viado também? E caralho em francês, diz aí, como é que é. Caralhô?

Caralho eu não sei. Vende isso, rapaz.

O lado bom da lógica policial.

Saco a parada. Tu vacilou, Adailton, não contou com isso, não sacou que o cara ia sair do controle.

E agora, Mané?

(página 85)

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

HOY

DAS COISAS QUE PERMANECEM ATUAIS

Gosto de arte que não careça de explicação, mas deixa eu emitir aqui uns comentários inúteis, já que o grafite aí, do Grupo Nagô, na fachada do Colégio Gonçalves Dias (Av. Kennedy, Bairro de Fátima) fala por si só:


[Foto: Ronald/ Grupo Nagô]

Saquem os versos de Que país é este? (Renato Russo) e Apesar de você (Chico Buarque), lançadas respectivamente em 1987 (Sarney era o presidente da república) e 1970 (censurada pelo regime militar; quando do lançamento em compacto simples o país era governado por Emílio Garrastazu Médici): a turma do Nagô só adaptou-os à realidade contemporânea, com um Sarney encapuzado entre o Congresso Nacional e as palafitas "crescendo sobre a maré", como poetaria José Chagas.

O Gonçalves Dias, o colégio, não o poeta, já passou pela "reforma roseanista" que botou o "trenzinho da alegria" nos muros de tudo quanto é prédio público. Espero que o trem biônico (a logomarca do (des)governo) não queira fazer a fiação elétrica das favelas do mural de trilhos, derramando uma carga de tinta que deixe no ar um cheiro de arte mais comportada.

Avante, Nagô!

GOLPE DA VIRGINDADE

Conservadores egípcios querem proibir a entrada no país de um produto que promete refazer artificialmente a virgindade feminina.

A enganação é feita na China, custa US$ 30 e serve para as noivas iludirem os pretendentes antes do casamento.

Distribuído pela companhia chinesa Gimino, o produto libera uma substância parecida com o sangue quando é rompido.

No material de divulgação, a empresa recomenda acrescentar alguns gemidos e tudo estará resolvido.

Há quem jure que uma fogosa garota de São Luís não só conseguiu o produto como obteve um resultado tão perfeito que o marido nem desconfiou.

[Pergentino Holanda, no EMA d'hoje, grifo do blogueiro]

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"VIVER É QUE É PERIGOSO"

Não conheço a casa nem as bandas, o que poderia soar, er, an, digamos, irresponsável, anti-"jornalístico" ou coisa que o valha.

Mas sou um cara de confiar em opiniões, é claro, baseadas em opiniões anteriores. E o grande cartazista ilhéu Ricardo Sanchez garante: "visite lá, o espaço é bom", mandou via e-mail.

O cartaz também é bonito paca:



De repente me arrisco. E convido os poucos-mas-fiéis a. Bora?

SÁBADO

LENDO

Breganejo Blues - Novela Trezoitão, de Bruno Azevêdo.

O lançamento acontece hoje em BH, dentro da programação do 6º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos).

Pra comprar, vá aO Puta!. Em breve, disponível para download gratuito no Mojo (mas acho que vale muito a pena comprar, viu?).

Amostra grátis:

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

DOMINGOS PASSADOS

As Tribunas Culturais que ainda não havia re-publicado aqui.

*

4 de outubro

TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*

(C)OBRA(NÇA)S COMPLETAS

Aos 20 anos da subida de Paulo Leminski já não é hora de alguma editora devolver sua obra (fora de catálogo) ao público?


[Leminski em clique de Julio Covello]

“Leminski,/ ei, psiu, sou eu Beleléu/ não fui no enterro teu/ porque você não irá no meu/ estamos quites, adeus”. Poema de Itamar Assumpção publicado na edição de 8 de junho de 1989, um dia após a subida do poeta samurai, do londrinense Jornal da Tarde, era uma forma de o amigo homenageá-lo.

Boêmio inveterado, tudo em Paulo Leminski (24/8/1944-7/6/1989) eram extremos. Ele mesmo se definia: “o pauloleminski/ é um cachorro louco/ que deve ser morto/ a pau a pedra/ a fogo a pique/ se não é bem capaz/ o filhadaputa/ de fazer chover/ em nosso piquenique”.

20 anos após “pedir a conta” – expressão que ele mesmo usava para definir a morte – reli sofregamente Paulo Leminski – O bandido que sabia latim (2001), sua biografia assinada pelo jornalista e amigo Toninho Vaz – cujo título é tirado de outra expressão que Leminski, poliglota autodidata, usava para se definir.

Em São Paulo, o Itaú Cultural, com curadoria do também jornalista e amigo Ademir Assunção, coloca em cartaz (estreou dia 1º.) a exposição Ocupação Leminski: 20 anos em outras esferas, que reúne obras, fotografias, (ampliações de) poemas, objetos pessoais e guardanapos – verdadeira usina humana de poesia, o paranaense usava o que tivesse a mão para registrar o que depois ganharia forma final em frente à máquina de escrever.

Em minha cabeça não para nem silencia o eco de seus versos, vistos e ouvidos na tevê – saudade: “moinho de versos/ movido a vento/ em noites de boemia/ vai vir o dia quando tudo que eu diga/ seja poesia”. Já é mais que hora de alguma editora reunir e lançar em um volume suas obras completas. Espero escrever sobre por aqui em breve.

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

*

27 de setembro

TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*

MPB: MÚSICA PROFUNDAMENTE BRASILEIRA

Primeiro disco completamente inédito do Garganta Profunda tem primorosas execuções de obras de novos nomes da MPB.


[Garganta Profunda, risos largos]

Garganta Profunda é um conjunto vocal muito preocupado com o instrumental, o que lhe garante um diferencial – perdão das rimas pobres – entre seus pares. As letras também merecem atenção especial – de novo.

Em Quando a esquina bifurca [Rob Digital, 2008, R$ 22,20, no site http://www.robdigital.com.br] o quinteto se divide entre os solos vocais, arranjos, composições, execuções e produção. Marcelo Caldi (voz, teclado, piano, sanfona, direção musical e concepção), Maurício Detoni (voz, violão), Kátia Lemos (voz), Fabiano Salek (voz, bateria e percussão) e Regina Lucatto (voz) dão conta do recado. Salek e Lucatto, respectivamente, filho e viúva do maestro Marcos Leite (1953-2002), fundador do grupo. As mulheres são as únicas remanescentes da formação original, que já chegou a congregar 23 cantores.


[Quando a esquina bifurca. Capa. Reprodução]

O grupo conta com participações especiais de Edu Krieger (baixo, violão sete cordas), Nilze Carvalho (cavaquinho), PC Castilho (flauta) e Nicolas Krassik (violino) e se vira bem entre samba (Motivo para sorrir, de Fabiano Salek e Nilze Carvalho), Xote (de Marcelo Caldi), a melancolia da faixa-título (de Thiago Amud) e o pop-ficção de O contador de estórias (de Edu Kneip).

Quando a esquina bifurca é nono disco da carreira – o primeiro de repertório completamente inédito – do Garganta Profunda, que já conta mais de vinte anos. Há dez anos recebiam o Prêmio Sharp de melhor grupo de MPB.

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

LABORATÓRIO DE MÍDIAS LIVRES EM REVISTA

Quinta!:

DOSE DUPLA

Abaixo, dois textos de Cesar Teixeira publicados na edição inaugural do jornal Vias de Fato, lançado sexta-feira passada (2) em São Luís, a quem desejamos de já vida longa. É por essas e outras que admiro tanto este grande jornalista, artista, ser humano.

*

VIOLÊNCIA E AMEAÇAS DE MORTE EM BURITICUPU

Integrantes do Fórum de Políticas Públicas de Buriticupu estão sendo perseguidos e ameaçados de morte por madeireiros e políticos locais acobertados pelo prefeito Antonio Marcos de Oliveira, o Primo.

POR CESAR TEIXEIRA

“Como é de conhecimento de muitos, neste município quem manda e desmanda, quem julga e quem condena são as facções criminosas madeireiras”, denunciam as entidades que integram o Fórum de Políticas Públicas de Buriticupu, entre elas a Rede de Educação Cidadã, o Instituto Maresia, a Cáritas Diocesana de Viana, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a Rádio Comunitária Tropical FM, a Pastoral da Criança, o Consea, entre outras.

Depois que a Operação Arco de Fogo passou pela região no final de agosto, lacrando as serrarias ilegais, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA) retirou o acampamento “sem literalmente atingir os objetivos da Operação, deixando a sociedade à mercê de bandidos”, já que os problemas de segurança persistem em Buriticupu.

“Com a ausência do IBAMA, no mesmo dia os lacres das madeireiras foram rompidos, voltando a funcionar normalmente, e os madeireiros retomaram suas atividades ilegais, afrontando a população e iniciando um processo de ameaças de morte aos integrantes do Fórum”, confirma a denúncia.

A presença da Operação no município foi resultado da intervenção do Ministério Público, depois que o Fórum de Políticas Públicas notificou à promotora de Justiça da Comarca de Buriticupu, Uiuara de Melo Medeiros, as agressões ao meio ambiente, “inclusive contrabando de madeiras originárias das reservas indígenas e biológicas”.

Por causa da atuação dos movimentos sociais, madeireiros de Buriticupu estão ameaçando de morte seus integrantes, especialmente a Sra. Naíza Gomes de Sousa Abreu, presidente da Cáritas da Diocese de Viana. Segundo o Fórum, os madeireiros afirmaram que, caso o IBAMA retornasse àquela cidade, ela iria morrer e que o Fórum está na mira deles.

“No dia 23 de setembro, o IBAMA realmente voltou a Buriticupu, razão pela qual tememos pela integridade de sua vida e dos militantes do Fórum de Políticas Públicas”, diz o depoimento em que as entidades solicitam proteção às autoridades estaduais e federais e ao Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, além de providências para coibir a violência no município.

Uma testemunha que abastecia sua moto no Posto Bodão, conta ter ouvido de um grupo de madeireiros, que ali costumam abastecer seus carros, que na hora em que Naíza aparecesse iriam encher sua cara de bala. As ameaças são feitas até mesmo por meio de recados indagando se “Naíza não tem medo de amanhecer morta”.

Madeira sem lei - Durante a Operação, criada para combater a extração e venda clandestina de madeira na Amazônia Legal, o município de Buriticupu foi ocupado pela Polícia Federal, juntamente com a Polícia Rodoviária Federal e a Força de Segurança Nacional, além das polícias civil e militar. Serrarias foram lacradas, armas foram apreendidas, fornos de carvão destruídos e várias pessoas presas, inclusive o presidente da Câmara Municipal, o madeireiro José Mansueto de Oliveira Júnior, acusado de crime ambiental e clonagem de veículo.

Mansueto é ligado politicamente ao prefeito de Buriticupu, Antonio Marcos de Oliveira (PDT), o Primo, que em janeiro de 2007 foi agraciado no Palácio dos Leões com a Medalha do Mérito Timbira. Em 2 de setembro deste ano, o prefeito teve as contas relativas ao exercício de 2006 reprovadas pelo TCE, sendo condenado a devolver mais de R$ 4 milhões aos cofres do município, além de pagar multas que totalizam R$ 442.435,00. Primo também é madeireiro e tem incentivado a atividade no município.

Nas serrarias foram apreendidas madeiras retiradas de matas nativas, da Reserva Biológica do Gurupi e das áreas indígenas, e os fornos ilegais de carvão vegetal foram destruídos. A Caritas Diocesana de Viana foi indicada para ser a fiel depositária da madeira, enquanto a Pastoral da Criança se encarregaria de fazer a distribuição do carvão para as famílias carentes.

Com a saída da Operação Arco de Fogo, a tranquilidade provisória e o ar puro que a população pode respirar, com a destruição dos fornos na zona urbana de Buriticupu, dissiparam-se junto com as garantias afiançadas pelo governo federal por meio do IBAMA, do Ministério Público Federal, do Ministério do Trabalho e Emprego e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

Situação crítica - No dia 3 de setembro, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, esteve no Maranhão visitando a região conflituosa, que inclui os municípios de Arame, Bom Jesus das Selvas, Centro Novo e Alto Alegre, além da Reserva Biológica do Gurupi e das terras indígenas Alto Turiaçu, Araribóia, Awá-Guajá e Carú. O ministro confirmou no total a prisão de 27 pessoas, o fechamento de 33 serrarias ilegais e a apreensão de mais de três mil metros cúbicos de madeira. “O suficiente para carregar 150 caminhões”.

Para o ministro Carlos Minc, a região onde a Operação Arco de Fogo atuou é um dos pontos críticos do Estado. Por isso objetivo principal é conter o desmatamento em unidades de conservação federal e Terras Indígenas, reprimindo atividades ilícitas voltadas para o beneficiamento e comercialização de produtos florestais sem origem legal comprovada.

Em agosto de 2007, a Operação Entorno, coordenada pelo Ibama em parceria com a Polícia Rodoviária Federal, Exército e Batalhão de Policiamento Ambiental do Maranhão esteve em Buriticupu. As equipes de fiscalização expediram 48 autos de infração, totalizando R$ 1.354.303,00 em multas, e apreenderam 4.424,895 metros cúbicos de madeira em toras e 250,519 metros cúbicos de madeira serrada.

Lideradas por madeireiros, centenas de pessoas fecharam a BR-222, principal via de acesso ao município, com uma barricada de pneus queimados. Os manifestantes, armados de paus e pedras, depredaram veículos da Polícia Rodoviária Federal e incendiaram uma máquina carregadeira. Os policiais rebateram com bombas de gás e balas de borracha, sem conseguir intimidá-los. Tiros de advertência com munição convencional foram disparados, deixando um manifestante ferido.

“Por conta desse episódio Buriticupu foi manchete de jornais e até no Fantástico como um dos municípios mais perigosos do Estado, uma terra sem lei”, lembra Marlúcia Azevedo, coordenadora do Fórum de Políticas Públicas de Buriticupu. Com a reação das forças federais, porém, “os poderosos da cidade ficam incomodados e se sentem prejudicados, pois estão acostumados a cometer crimes ambientais e explorar a população”.

Arco Verde - Dados recentes do IBAMA comprovam que em Buriticupu 97% da cobertura vegetal foram devastados, e, pelas dificuldades na exploração do produto básico para a atividade madeireira, um dos alicerces da economia local, a Reserva Biológica do Gurupi e as áreas indígenas do noroeste do Estado tornaram-se os principais alvos dos madeireiros.

Para compensar, o ministro Carlos Minc anunciou que a Operação Arco Verde, dirigida às áreas em estágio crítico de desmatamento, incluirá os municípios de Buriticupu e Bom Jesus das Selvas, após solicitação da promotora de Justiça da Comarca de Buriticupu, Uiuara de Melo Medeiros e lideranças locais, que observam na exploração irregular de produtos florestais a causa da falta de segurança e da degradação ambiental na região.

Lançada em junho do ano passado pelo IBAMA, sob a coordenação da Casa Civil do Palácio do Planalto e com a participação de 13 ministérios, a Operação Arco Verde prevê ações contra o desmatamento florestal e alternativas para o desemprego no setor madeireiro da Amazônia. Todavia, a Operação ainda não conseguiu oferecer aos municípios infratores os meios para transformar ações predatórias em atividades legais e sustentáveis.

Propinas e mortes - A atuação dos órgãos ambientais é criticada pelo Fórum de Políticas Públicas, que denuncia a ligação de funcionários do IBAMA com os madeireiros, informados antecipadamente toda vez que uma equipe de fiscalização era designada para a região. “Ligavam, dizendo que estava na hora de passar a cesta (recolher a propina) para que dispensassem a fiscalização”, conta Flávio Pereira, membro da Cáritas Diocesana de Viana.

Segundo a coordenação do Fórum, o município também foi abandonado pelo Estado no que se refere à segurança pública. “Temos quase 70 mil habitantes com efetivo policial de quatro homens, e nem temos delegacia”. Em março deste ano, o governo do Estado assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público que garantiria a construção de uma Delegacia de Polícia e de um quartel destinado à Companhia Independente de Policia Militar do município, a ser criada por Projeto de Lei.

“Com a troca de governo, isso foi esquecido, e o povo continua ao Deus dará, tendo que passar todo ano por um assalto a banco, sem falar nos inúmeros assassinatos e casos de exploração sexual de menores”. Roseana Sarney assumiu em abril o governo do Estado no lugar de Jackson Lago, cassado pelo TSE.

Flávio e seus companheiros de militância temem por suas vidas, sobretudo diante das ameaças feitas à Sra. Naíza Abreu. Porém, estão mais preocupados com população local, exposta à ação dos bandidos. Em meados de setembro, quatro jovens foram assassinados quase todos no mesmo dia.

“Serão apenas mais quatro a entrar para as estatísticas! O nosso povo está se acabando, mas aqui tem muita gente trabalhadora, honesta, e que precisa de ajuda, para que não entreguemos a nossa bandeira de luta e resistência nas mãos de quem mata por esporte. Fica aqui o nosso grito, o nosso apelo à vida e o nosso pedido de ajuda”, conclui Flávio.

Lei Sarney: a Raiz da Violência

A onda de violência em Buriticupu tem raízes históricas expostas. Em fins da década de 1960 e início dos anos 70, acentuaram-se no Maranhão os conflitos de terra, sobretudo após ser promulgada a Lei de Terras (Lei nº. 2579/69), assinada em 17 de julho de 1969 pelo então governador José Sarney (1966-1970), filho bastardo do regime militar.

A Lei Sarney, como se tornou conhecida, pretendia “colonizar” as supostas terras virgens do Estado, sob pretexto de abrir fronteiras para a exploração e desenvolvimento da Amazônia, criando zonas de expansão agrícola.

Foi o mote para que empresários e especuladores de outras regiões do País, sobretudo do Sul e do Centro-Oeste, fossem atraídos para o Maranhão, esmagando as pequenas propriedades e empurrando antigos posseiros para fora das terras devolutas, adquiridas a preço de banana ou simplesmente invadidas por grileiros, que a cada dia aumentavam seus latifúndios à custa dos serviços de jagunços e pistoleiros de aluguel.

Depreende-se daí que a Lei de Terras apenas serviu para institucionalizar a grilagem e o estelionato de terras públicas, incentivando a violência e os assassinatos em série de trabalhadores rurais. Sem falar na cumplicidade de prefeitos, delegados de polícia e até juízes com os latifundiários, o processo de regularização fundiária no Estado foi aos poucos se desestruturando, sobretudo depois da criação da COMARCO – Companhia Maranhense de Colonização –, em 1971 (Lei 3.230).

Quando Sarney deixou o governo do Estado, a Lei de Terras já havia presenteado com mais de 1.500.000 hectares os latifundiários instalados no Maranhão, que passou a ser um dos campeões brasileiros de concentração fundiária. O município de Santa Luzia do Tide foi atropelado com o projeto de colonização do antigo distrito de Buriticupu, quando o governo estadual pretendia criar no Sudoeste do estado uma zona de expansão agrícola.

O que se viu foi a exploração ilícita das florestas nativas, transformadas em matéria-prima das serrarias que se alastraram pela região, favorecendo a pistolagem, com o apoio dos políticos locais, que também se transformariam em grandes fazendeiros e donos de madeireiras. Conflitos de terra espalharam-se pelo Vale do Pindaré, Mearim e Região Tocantina, com casos de grilagem, assassinatos e prisões arbitrárias de lavradores.

Em 1968, o líder camponês Manoel da Conceição foi preso, torturado e teve a sua perna direita cortada depois de um ferimento à bala, durante ação repressiva da Polícia Militar em uma assembléia de lavradores no povoado Ladeira do Gato, município de Santa Inês.

Nas regiões em conflito várias lideranças rurais foram assassinadas: Firmino Guerreiro dos Santos, em Bom Jardim (1975); Elias Zi Costa Lima (1982) e Raimundo Nonato da Silva, “Nonatinho” (1984), ambos presidentes do STR de Santa Luzia, só para dar alguns exemplos. A violência recrudesceu em 1985, ano em que Sarney assumiu a Presidência da República, quando 18 trabalhadores foram mortos no Maranhão.

Além da repressão policial do governo, verdadeiras milícias armadas tomavam conta da região, impedindo os agricultores familiares de produzirem até mesmo para a sua subsistência, fazendo aumentar o número de bóias-frias e retirantes sem terra.

O Estado importava quase tudo. Dados da SUDENE revelam que, de 1970 a 1992, a produção agropecuária caiu de 40,01% para 9,66% [tabela na edição impressa]. Isso prova que os projetos de colonização da era Sarney não trouxeram nenhum benefício ao Estado, pelo contrário: empresários, latifundiários e grileiros encheram seus cofres com a exploração ilegal dos recursos naturais.

Jornal Vias de Fato, São Luís/MA, outubro/2009

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O BANQUETE EXECRÁVEL

POR CESAR TEIXEIRA


[Charge de Cesar Teixeira]

Entre restos de pizza jogados no balcão imundo, um grupo de parlamentares se diverte tirando da cartola novas manobras políticas, enquanto José Sarney, o Reincidente, suspira com uma pitada de Pré-Sal no caldo de sarnambi, quem sabe já degustando vantagens para as extensas áreas que adquiriu ilegalmente em Santo Amaro, nos Lençóis Maranhenses, visando à exploração de gás.

Imóvel, sobre o freezer abarrotado de vísceras, a estátua decapitada da Justiça sente o peso da solidão e da indiferença.

Crentes de que não será a sua última ceia, os convivas devoram com avidez as costelas indigentes da ética e do decoro, lambendo o sangue nos dedos coalhados de anéis. Vomitam uns nos outros como cães hidrófobos, soltando arrotos e peidos estridentes. Apesar do cheiro quase sólido de enxofre no ar, salvaram-se as regalias, como os saques indenizatórios ao tesouro público para despesas secretas de tapioquinhas, ou linhas aéreas para os paraísos da impunidade.

Novas denúncias certamente irão surgir, mas servirão apenas de aperitivo para a larica incontrolável dos canibais engravatados.

O Congresso Nacional, este sim, é que pode ser chamado de Zona do Baixo Meretrício, onde as receitas pirateadas do Kama-Sutra contra os interesses nacionais e a ordem constitucional do País superam as páginas rasgadas da Carta Magna brasileira, que entulham as latrinas do Senado. No Plenário, as sessões legislativas tornaram-se animados stripteases de lama, gincana execrável entre gigolôs do patrimônio público. Os cabarés da Rua 28 de Julho e da Rua da Palma eram muito mais respeitáveis.

Em Brasília a classe política sofre de bulimia crônica. De modo geral, política e jantar de negócios em mansão não declarada são a mesma coisa. Come-se e bebe-se gratuitamente, sem bater cartão ou pagar aluguel. Ordinariamente, todos decoram seus papéis: coronéis de merda, mordomos secretos, lobistas aloprados, office-boys midiáticos, cangaceiros de terceira categoria, arapongas etc. Nos bastidores, juízes de papel machê.

O mais reles papel, entretanto, cabe ao presidente Lula, espécie de czar naturalista especializado em mimar camaleões de bigode, que, para justificar o injustificável, enterra o PT em cova rasa, poupando velas de sete dias para o mausoléu do Convento das Mercês, um museu republicano financiado com recursos de empresas estatais.

Assim, sobre o balcão imundo, renovam-se alianças e casamentos políticos, não sem antes, por conveniência sentimental ou compadrio, empurrar as picuinhas retemperadas pela mídia para debaixo do tapete – com ou sem as sobras cirúrgicas de Dilma Roussef.

De olho nas próximas eleições, os senadores puxam lenços solenes com os quais enxugam uns nos rostos dos outros o desperdício de bílis e caviar. Inspirados, como se fosse o vernissage do quadro de miséria que atinge 33,6 milhões brasileiros, retocam a pintura do bigode de José Sarney, o Compulsivo.

Homem incomum por ser esculpido em lodo – o lodo petrificado de uma biografia mergulhada em fraudes e golpes sujos –, o senador do Amapá sabe que ainda tem os holofotes voltados para si, e tirará proveito disso, embora com tremor nas mãos. Fato que tem levado alguns jornalistas a afirmarem ser essa a causa dos seus desarranjos lexicais. Mero imbróglio acadêmico a ser engavetado. É mais frutífero imaginar James Parkinson tentando psicografar alguma bobagem para a Folha de S. Paulo.

Não obstante, durante o banquete que atravessará as eleições de 2010 tudo será permitido, inclusive enfiar o dedo na garganta para vomitar outra vez o que já foi deglutido, e repetir tudo de novo, deixando a conta para o povo brasileiro digerir.

São aberrações políticas iguais a Renan Calheiros, Collor de Mello, e José Sarney, o Dissimulado, que ainda insistem em perpetuar-se no poder para gerir o destino dos cidadãos de bem. Por essas e outras é que dizem que o cavalo Incitatus, nomeado senador por Calígula, teria sido mais ético, pois nunca atentou contra o decoro parlamentar em Roma.

Enquanto houver pizzas no forno e leis que possam ser transgredidas, eles ficarão lá como parasitas para sucatear a democracia, jurando de pés juntos nada saber de nepotismo, desvio de verbas públicas, falsidade ideológica, caixa dois, tráfico de influência e outros crimes manjados. Até que sejam guilhotinados pelos votos da indignação.

Infelizmente, esses mortos-vivos de jaquetões Armani lambrecados de Booster, já deixaram as impressões digitais no erário público, sua calçada da fama, emporcalhando a história de um País ansioso por uma nova independência, não movida a petróleo, mas pela dignidade social e pela cidadania.

Jornal Vias de Fato, São Luís/MA, outubro/2009

domingo, 4 de outubro de 2009

DOMINGO PASSADO, 27,

o texto abaixo foi publicado nos jornais Pequeno e Tribuna do Nordeste. Voltando aos poucos, após uma semana de viagem, quase sem tv e internet, não sei em que pé está a situação hoje.

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PARA CONFERIR O QUÊ?

Talvez para a família Sarney, “conferência de comunicação” signifique apenas conferir quantos veículos integram seu sistema.

POR ZEMA RIBEIRO*

Por diversas razões não tenho participado como gostaria das discussões, mobilização, organização, reuniões preparatórias e o escambau no que tange a organização das conferências municipal e estadual de comunicação, em São Luís e no Maranhão, respectivamente.

Ainda em 16 de abril passado foi assinado decreto pelo presidente Lula convocando a 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que acontecerá em Brasília dias 1º., 2 e 3 de dezembro, cujo tema é Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital.

Acompanho, de longe, o que se discute nos e-groups e sinto-me contemplado/representado com/pelo grupo que está à frente dos processos citados no parágrafo inicial. Gente que sabe o que faz e o que diz. E tenho acompanhado principalmente suas dificuldades.

Sempre vi com muita desconfiança a realização, ao menos a contento, como deveria ser, de uma Conferência Nacional de Comunicação – será a primeira do país, repita-se – com um Sarney na presidência do Senado. Ora, qual o interesse de um – não o único, sabemos – latifundiário das ondas de rádio e TV de que aconteça um evento de tal magnitude que, entre inúmeros outros pontos de pauta, discutiria (discutirá?) também oligopólios, concessões, coronelismo eletrônico etc.?

Cabe lembrar que quando presidente da República, posto que assumiu com a morte do Tancredo Neves eleito, Sarney foi um grande distribuidor de concessões de rádio e televisão a seus aliados políticos, com seu então ministro das comunicações Antonio Carlos Magalhães.

A fratura-resultado disso está exposta para quem quiser ver, somado agora ao pas-de-deux dançado pelos presidentes, da República e do Senado: enquanto tevês comerciais funcionam com concessões vencidas, rádios comunitárias são perseguidas, fechadas e criminalizadas. Na mesma ponta – da conta – o Maranhão é o estado brasileiro com pior índice de acesso à internet e seu atual (des)governo não tem nenhuma política pública a respeito desenhada, sequer rabiscada. Esta é apenas mais uma demonstração da falta de compromisso da gestão roseanista com o povo maranhense. Assim, para quê ou por quê convocar um instrumento de participação popular na deliberação de políticas públicas?: todos os temas aqui já listados, além de produção regional e independente e um novo marco regulatório para a comunicação no país.

Certamente uns me julgarão mero tolo ou “balaio”, quando não as duas coisas – há espíritos de porcos que julgam até tratar-se de sinônimos –, por querer, por “tudo”, “jogar a culpa” no “ilibado” public life man, ele, o pai da governadora, aquele que lhe devolveu o trono e o Estado.

Se é turbulento o processo no plano nacional, no Maranhão a situação não é muito diferente – quiçá seja pior: o estado governado pela filha de Sarney é um dos apenas nove que ainda não convocaram a conferência. Com o prazo para a convocação da etapa estadual tendo vencido em 15 de setembro, há a possibilidade de que isso seja feito com a publicação da convocação com data retroativa no Diário Oficial – o que se crê muito difícil. Outra possibilidade é a convocação ser feita pela Assembleia Legislativa.

Em reunião com membros da Comissão Organizadora da Conferência Estadual de Comunicação, semana passada, o secretário de estado de Comunicação Sérgio Macedo limitou-se a responsabilizar o governo anterior: a gestão Roseana Sarney não teria dinheiro para convocar e injetar recursos em uma conferência de comunicação por que “um bando de irresponsáveis”, segundo ele, teria sangrado os cofres públicos.

Soa conversa para (bumba-meu-)boi (apadrinhado) dormir: como o governo não tem dinheiro para algo importante como seria (será?) a I Conferência Estadual de Comunicação, mas pode investir em propaganda enganosa, anunciando obras e metas que dificilmente cumprirá? A não ser que a publicidade do governo do Maranhão não tenha custos, já que tanto o executivo quanto a maioria dos meios de comunicação do estado “pertencem” à família Sarney: assim, é possível que jornais, rádios e tevês publiquem/veiculem sua publicidade “gratuitamente” numa confusão patrimonial típica de velhas oligarquias. Aliás, para a família Sarney, talvez conferência de comunicação signifique apenas conferir quantos veículos integram seu sistema.

*ZEMA RIBEIRO escreve no blogue http://www.zemaribeiro.blogspot.com

sábado, 3 de outubro de 2009

CUNHA SANTOS

O poeta e jornalista (também) caiu na blogosfera. Bem vindo!